Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

26
Set 18
Assim de faziam tábuas antigamente. Isto é uma escultura representativa da profissão de serrador. O tronco que está do lado esquerdo com dois apoios chama-se "burra". O do lado direito é apoiado em dois "pontaletes". É este tronco que se corta em tábuas. O serrador que está por baixo trabalha de joelhos e deverá usar boina ou chapéu para que não lhe caia serradura nos olhos. O tronco a serrar era atado com uma corda ao "focinho" da "burra"  para que não saisse do sítio. Este tronco era previamente aparelhado com machado de modo a perder a forma cilindrica e ficar mais prismático. Também eram marcadas as linhas de serragem com um fio molhado em ocre diluido, esticado de ponta a ponta, um pequeno esticão no meio da corda e ficava marcada a linha. Ainda me lembro de ver o meu avô Zé Simões, do Casal d'Além, a trabalhar nisto, na Sarzedas do Vasco, com o Ti João Carvalho (sacristão) do Vitoiral (agora mais conhecido por Souto Fundeiro).  Onde eu gostaria de ter estado era na posição do serrador superior,  mas nunca me deixaram. Não era fácil, o equilibrio em cima do toro ao mesmo tempo que tinha de se puxar e empurrar a serra. Curiosamente guardo a serra que foi do meu avô, como uma relíquia. Até gostaria de a ver exposta, quando for criado o museu rural de Padrógão Grande, visto que ele era deste concelho...!!!!!!!!!??????
 
 
 

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publicado por Sir do Vasco às 00:17

06
Set 18

Não passará pela cabeça dum Encarregado de Educação da maioria dos alunos que frequentam actualmente as nossas escolas que fosse servido ao seu Educando, na cantina da escola, um lanche composto de uma ou duas cenouras, um ou dois tomates e umas rodelas de pepino. Nos países nórdicos isso é um hábito enraizado e se algum E.E. manda um bolo ou bolacha, chocolate nem pensar, ao seu educando, o mesmo é-lhe “confiscado” e devolvido para casa.

A minha esposa deparou-se com estes hábito há mais de vinte anos quando fez o primeiro intercâmbio entre escolas europeias. A colega que a recebeu na Dinamarca, deu-lhe o “almoço” dentro dum saquinho para levar para a escola: Um tomate, duas cenouras e umas rodelas de pepino, com uma fatia de pão preto. Tudo bem! Isto ampara até ao almoço. Só que o almoço não apareceu e teve de se contentar com aquele ”almoço”. Um dia, dois dias, três dias e nada mudou, pelo que teve que “aportuguesar”, valendo-se dos supermercados mais próximos.

Um casal conhecido com filhos foi uns dias a Itália. E porque quando se vai passear nem sempre se pode perder tempo em restaurantes e porque no estrangeiro, dum modo geral os restaurantes são pouco compatíveis com as economias de alguns portugueses, foram procurando matar a fome com sandochas de queijo e fiambre. Não sendo de total agrado de todos mas especialmente do marido, que reclamava constantemente. Quando preparavam uma dessas refeições, num banco do jardim, repararam que outro casal, também com filhos, fazia o mesmo ali perto, só que o almoço deles era pepino com pão. Ao ver aquilo o nosso amigo portuga virou-se para a esposa e disse: “Somos ricos! As nossas sandochas são uma maravilha. Querida, dá-me cá mais uma!”

Reportando-me aos anos sessenta do século passado, entre os meus sete e dezassete anos de idade, na Sarzedas do Vasco, só se aprimorava a merenda quando haviam pessoas de fora a trabalhar em casa dum patrão qualquer. Como já referi em posts anteriores era hábito o patrão dar a merenda. Em situação dita de todos os dias, as pessoas merendavam conforme lhe dava mais jeito e sem um ritual rigoroso de horário para cumprir.

Os restos do almoço, de hoje ou de ontem, pão, normalmente broa, com azeitonas era um requinte. Pepino cortado em fatias ao comprido, com sal. Nada mau. Eu comi muitas vezes. Cebola com pão. Já não sabia tão bem, mas também comi. Cenouras eram pouco cultivadas, pelo que também pouco consumidas. Tomate com ou sem sal, não comia na época. O adocicado do tomate não me sabia bem. Tudo isto de produção própria. Ia-se ao quintal colhia-se e comia-se. Não se comprava mas também não havia quem vendesse. Isto na época... porque fora dela__não havia não se consumia… bom agora os mais novos não sabem quando é a época da maioria dos produtos, tal como não sabem que as galinhas é que põem os ovos…

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Um ocasião fui “obrigado” a comer uma fatia ou duas de tomate com sal, já com dezoito ou dezanove anos. Estava no estabelecimento do Sr. António Rosa, em Vila Facaia, quando chegou o carteiro da sua habitual volta, que por sinal era o meu primo Anacleto. Fez o trabalho que devia, acondicionou as cartas que recolhera dentro da mala, preencheu alguns papéis, porque dai a pouco viria o carro do correio que levaria tudo para a central em Coimbra. Depois disto convidou-me para beber um copo, literalmente um copo de vinho. O Sr. Rosa acompanhou-nos também. Entretanto chega o Sr. Manuel Dinis e paga segunda rodada. Por volta das seis da tarde digamos que o almoço já tinha ido e o vinho estava a cair no fundo do estomago. Eu que não andava derrubado com o peso do dinheiro, mas para quatro copos de vinho ainda tinha, pelo que não querendo ficar mal, paguei terceira volta, mas custou-me mais beber o vinho do que pagá-lo. O Sr. Rosa embora sendo o dono da taberna oferece também o quarto copo. Apesar deles estarem habituados, provavelmente também tinham pouca cama para o vinho, pelo que antes de oferecer a rodada, o Sr. Rosa pegou num ou dois tomates madurinhos, cortou-os aos gomos e pulverizou com sal grosso e distribuiu-os por nós. Eu não disse que não queria o bocado do tomate por vergonha, mas acho que o engoli duma só vez sem mastigar. Hoje sou amante duma boa salada de tomate, mas por incrível que parece foi na tropa que comecei a comer tomate.

Nunca fui amante de grandes leituras. A primeira revista que coleccionei chamava-se “Mundo da Canção” em 1970. Encadernei-as mais tarde e ainda as tenho. Li alguns romances, normalmente depois de recomendados, já não os conto pelos dedos.

Terminei “Cebola crua com sal e broa” e ao seu autor, Miguel Sousa Tavares, devo este desabafo. Nunca fui grande apreciador das suas opiniões e com menos apreço fiquei quando ele fez críticas aos professores tendo na altura demonstrado alguma falha de conhecimento da situação, vindo a sofrer fortes críticas da classe.

Não imaginaria nunca que ele tivesse lanchado dias seguidos cebola crua com sal e broa. As “voltinhas” que os pais precisaram de fazer para que nada faltasse! Filho de quem de quem foi, teve todas e muitas portas abertas. A leitura do seu livro não mudou muito a minha opinião, mas admiro a coragem que teve em fechar essas mesmas portas, quando não se sentia bem.

Leitura recomendada sobretudo a Encarregados de Educação que  reclamam por aparecer uma lagarta na salada, mas não sabem ou não querem saber, que muitos caixotes do lixo nas escolas enchem-se com fruta, bolos e sandes deitados fora pelos alunos.

publicado por Sir do Vasco às 19:14

17
Jun 18

Hoje todos juntos em Sarzedas do Vasco, no largo da fonte de baixo.

Quase todos os moradores.

Alguns sarzedenses, não residentes.

Alguns descendentes.

Passa um ano sobre o trágico fogo de 17 de junho de 2017.

Fogo como nunca se viu.

O pior que tinhamos tido, foi no final dos anos sessenta, uns nove ou dez focos de incendios no mesmo dia, os cerca de 100 habitantes à época facilmente dominaram.

O ano passado não foi assim.

Consumiu tudo por onde passou.

Ninguém lhe pode fazer frente.

Vitimou cinco dos nossos.

No conjunto com Sarzedas de S. Pedro e Balsa foram 11.

O 11 parece ser numero fatídico. Mas só Nodeirinho "conta".

É sobretudo pelos nossos que aqui estivemos.

Recordá-los, dizermos que temos pena que nos tenham deixado.

Não havia arco de S. João na fonte. Ainda não é S. João!.

A Natalinha e a Fátima tiveram a ideia.

Ficou, no poial da fonte, uma escultura simbólica, alusiva aos que partiram.

A Fátima leu uma prece, repositora de alguma paz.

Para todos os presentes e eventualmente alguns que gostaria de estar mas não puderam.

Os outros, afinal não fizeram falta, tal como as TVs.

 

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publicado por Sir do Vasco às 22:23

21
Mar 18

DESCENDENTE DA SARZEDAS DO VASCO

PADRE CARLOS AUGUSTO

Recebemos do Sr. Manuel Tomaz  a  triste notícia deste falecimento.

Era eu rapaz de escola primária quando este Senhor, já padre à época, esteve uns dias em casa dos seus familiares: a avó, Ti Rosa da Quelha como era conhecida e/ou da tia, a Ti Dialina, mãe deste Sr Manuel Tomaz, da Senhora Aurora, do Sr. Salvador e do Sr Carlos (falecido). Este Sr. Padre Carlos era primo direito destes últimos. Paz à sua alma.

Transcrevo:

"Venho dar-lhe a infeliz notícia do falecimento do meu primo Padre Carlos Augusto (12 de Dezembro de 1942 - 19 de Março de 2018).
Sofria de entre outros problemas, de um linfoma no sangue. Porém, viria a falecer devido a um "volvo no intestino", que foi fatal em poucas horas após ter dado entrada no hospital.
Nasceu em Lisboa. Filho único do meu tio Carlos, irmão da minha mãe, e de Dárida, natural de Vila Flor, Bragança.
Após a instrução primária frequentou os Seminários de Santarém, Almada e Olivais, onde se ordenou.
Pertenceu às Paróquias do Espírito Santo (Olaias) Lisboa e São Nicolau (Baixa de Lisboa). Exerceu também funções nos serviços de notariado do Patriarcado de Lisboa. Há já algum tempo, após a reforma, morava numa residência do Patriarcado, na avenida 5 de Outubro."

Junto foto gentilmente cedida pelo Sr Manuel, onde se apresentam o Padre Carlos com seus pais.

TIO CARLOS. TIA DARIDA E PRIMO CARLOS AUGUSTO 001.

 

 

publicado por Sir do Vasco às 16:51

17
Fev 18

Daqui a sessenta ou setenta anos, se não voltar a arder poderá haver pinheiros como estes na Sarzedas. Pinheiros cortados no Torroal depois do incêndio de 17 de junho de 2017. Deveriam ser dos mais antigos existentes nos limites da aldeia. Nota-se neles a cicatrização interior das feridas provocadas pela resinagem ainda do tempo em eram feitas pelo método antigo. A procura da seiva era feita no lenho. Atualmente e feita na casca e estimulada com ácido.

 

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publicado por Sir do Vasco às 00:17

26
Dez 17

 

Deixo aqui também os parabéns à Joana e o obrigado à sua mãe pela cedência e autorização desta foto.

Esta jovem hoje adulta,  aqui do Ribatejo Norte, faz hoje anos e porque achei interessante esta foto pedi para publicá-la neste blog.

E qual a relação com a Sarzedas do Vasco? Apenas no andarilho dela quando bebé.

Eu tive um assim, com três rodinhas, feito em madeira pelo meu avô. Durou até eu ser adulto, depois desapareceu... mesmo agora tenho pena de não o ter guardado. Como eu outros tiveram o mesmo treino. Era a aranha de  antigamente e assim os bebés começavam e se habituavam a dar os primeiros passos.

 

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publicado por Sir do Vasco às 21:02

15
Out 17

A SALVAÇÃO

 

Hoje tive um motivo que me trouxe aqui e começar a escrever sobre a salvação. Não pensem que “virei” Testemunha de Jeová, não é isso. Contudo a SALVAÇÃO que vou falar, digamos que originalmente está também relacionada com a salvação da alma.

Umas mais do que outras, as pessoas todas pretendem a salvação. Umas mais a salvação do corpo e outras pensarão também na salvação da alma.

A "SALVAÇÃO"  era a formulação de um desejo entre duas pessoas que se cruzavam no caminho.

Como católico, embora pouco praticante, continuo a ir à missa aos domingos. Como crente eu também procurando “A Salvação”. Hoje quando passava no largo na igreja, passavam também uma senhora e um cavalheiro em plena conversa e dizia ela: “...zangou-se e deixou de me dar a salvação!”. Assim, pensei eu neste post e neste tema. A salvação. Antigamente a salvação era um uso de toda a gente em todas as aldeias e na Sarzedas também. Este hábito perdeu-se e onde ou quando existe, foi muitas vezes deturpado do original. Quanto mais novas são as pessoas menos cumprimentam os outros e se forem desconhecidos pior ainda. Na Sarzedas sempre ouvi um pessoa ao passar por outra dizer “Bom dia” “Boa tarde” “Boa noite” conforme a situação. Poucos invocavam Deus para a salvação. Lembro-me, no entanto, do Ti Oliveira que dizia sempre “Bom Dia nos Dê Deus” ou “Até amanhã se Deus quiser”.  Chegava-se à incoerência de pessoas estarem zangadas e no entanto desejarem  "Bom dia ou Boa Tarde" uns aos outros. Não tanto durante o trabalho diário, mais ao Domingo ou quando se cruzavam com alguém mais "importante" os homens levantavam o chapéu da cabeça. Negar a salvação era o pior que podia acontecer, era o corte total duma pessoa com o seu semelhante.

Os mais velhos lembrar-se-ão das locutoras da TV se despedirem com esta última frase. Era obrigatório antigamente. Atualmente algumas e alguns, poucos, o fazem por convicção naturalmente.

A salvação era assim o desejo que uma pessoa demonstrava perante a outra de que tudo lhe corresse bem.

Agora, ouve-se muitas vezes a ignorância de alguns pretender fazer humor onde de facto não existe. Alguém diz “Boa Tarde”, fequentemente ouve-se em resposta “Vens Tarde? Viesses mais cedo!”. Este é um agradecimento pouco ortodoxo a quem deseja que a tarde seja boa. A salvação é um desejo não uma constatação.

Se recuarmos  no tempo  "avé" significava "salvé". Cristo dizia "a paz esteja convosco".

Atualmente há quem diga "Olá!

Outras formas menos usuais entraram no nosso léxico: do italiano "ciao" aportuguesado "tchau!", do inglês "bye-bye", do brasileiro "oi pessoau" ou  "oi tudo bem".

Embora bastante usada antigamente, "adeus" talvez com significado de "Até Deus" hoje em dia  quase  ninguém usa, não sei se por medo de se voltarem a encontrar apenas juntos de Deus ou por outra razão. Há quem defenda mesmo que "adeus" é antónimo de "oi, olá, hello" e sinónimo de "tchau, good bye, saudações, saída, embora".

Encontrei no blog “Atenta Inquietude” um post muito interessante sobre o tema, com a devida vénia ao autor Zé Morgado, transcrevo.

http://atentainquietude.blogspot.pt/2010/11/dar-salvacao.html

Como o povo costuma dizer estamos sempre a aprender. Fiquei hoje a saber través do JN que o dia 21 de Novembro é o Dia Internacional da Saudação e tem como objectivo a promoção da paz através do cumprimento. O jornal dispõe ainda de alguma informação sobre as formas de cumprimento em diversas paragens.

Do meu ponto de vista, falta um dos muitos enunciados que a língua portuguesa tem e que me encantam, “dar a salvação”, isto é, cumprimentar. Desde miúdo que à minha avó ouvia esta expressão e a recomendação de que sempre que se entra em algum lado ou se passa por alguém, conhecido ou não, se deve dar a salvação. Este comportamento perdeu-se quase completamente, ninguém se cumprimenta ao cruzar-se na rua, excepto se for conhecido, naturalmente, e quando se entra num qualquer local, um café, por exemplo, e se solta um bom dia, a maioria das pessoas não liga e alguns olham-nos como alienígenas. Alias, tal estranheza verifica-se quase sempre que se cumprimenta alguém desconhecido com que nos cruzamos, convido-vos à experiência.

No meu Alentejo, como provavelmente noutras paragens, ainda muita gente dá a salvação na rua e, acho lindíssimo, alguns dos homens mais velhos ainda levam a mão ao chapéu ou à boina. E também se mantém para muitas pessoas o hábito de um cumprimento global ao entrar num espaço público.

Dirão que nada disto parece relevante e, provavelmente, não o será. Mas cumprimentar alguém com que nos cruzamos tem a enorme consequência de que esse alguém é olhado e interpelado, deixou de ser transparente, tornou-se visível, vivo. Num mundo em que as relações interpessoais são cada vez mais em suporte virtual e em que as pessoas estão mais sós, mas com uma “rede social imensa”, não é questão de somenos.

Finalmente, esta ideia de poder receber de alguém, ou poder oferecer a alguém a salvação é, no mínimo, reconfortante. Mais do que nunca.

Obrigado Zé Morgado.

publicado por Sir do Vasco às 23:42

10
Jan 17

Na minha aldeia também havia um ferreiro.

O Ti Jaime Silva, ferreiro e mais tarde serralheiro

 

Procurei na NET e encontrei várias imagens com muita  semelhança da oficina que conheci.

Nenhuma desta imagens é do Ti Jaime nem da oficina que ele teve na Sarzedas do Vasco

localizada exatamente no sitio onde está  a casa da minha prima e comadre Natália Almeida.

 

oficina

Digamos que o aspeto geral era este, embora mais espaçosa.

Vamos imaginar   a dorna e a bigorna mais para direita em frente à forja, deixando toda a parte central livre.

A forja não tinha chaminé.

fole

A forja dele era semelhante a esta de museu, mas toda negra, cheia de tralha e foligem de carvão.

A alavanca superior servia para dar ao fole, que acendia e atiçava o lume.

Onde se colocava o ferro a aquecer.

forja1

O qual depois de estar em brasa era malhado com martelo, em cima da bigorna, para adquirir a forma desejada.

bigorna

 

bate o malhobate malho

 

Também tinha um engenho de furar manual igual ao da imagem. Ele fazia as suas próprias brocas.

eng, de furar

Trabalhava com forja e mais tarde passou a soldar com elétrodos o que foi mais uma novidade para mim.

Na oficina dele vi a primeira rebarbadora.

Muitas vezes pedia-lhe se me deixava fazer os meus "biscates" em troca tinha de lhe ir buscar um barril de água à fonte.

Aprendi muito com ele apenas a ver fazer e só mais tarde tive oportunidade de por em prática, relembrando aquilo que vi.

Temperar o ferro tinha muito que saber eu via quando ele esfregava um corno de carneiro no ferro quente, via-o mergulhar o ferro em água depois de ter adquirido a forma desejada, ora lentamente  ora  rápido. Só mais tarde entendi o porquê quando tive de aprender,  algo sobre isso. Não sei fazer mas tenho pena. Mas aprendi a soldar com elétrodos (arco voltáico)

Não era qualquer ferreiro que fazia um portão todo rebitado e muito menos fazer bem feito uma soldadura por caldeamento. Ele fazia. Depois de haver aparelhos de soldar deixou de ser necessário fazer caldeamento.

publicado por Sir do Vasco às 20:31

UMAS CURIOSIDADES SOBRE A SARZEDAS E SEUS DESCENDENTES.

MAIS UMA VEZ ENVIADAS PELO SR. MANUEL TOMAZ, AS QUAIS DESDE JÁ AGRADECEMOS.

PARECE-NOS QUE TUDO O QUE SE POSSA CONTAR SOBRE A NOSSA ALDEIA E SUAS GENTES, É INTERESSANTE.

O SR MANUEL É IRMÃO DO SR SALVADOR, RESIDENTE NO BRASIL, E DA SRA. D. AURORA, ESPOSA DO SR. MANUEL RODRIGUES, CONHECIDO POR MANUEL DAS CHITAS. DEIXAMOS ESTA EXPLICAÇÃO PARA QUE QUEM EVENTUALMENTE NÃO CONHEÇA, POSSA MAIS FACILMENTE ENTRA EM CONTEXTO COM O QUE SE PUBLICA.

 

C:\Documents and Settings\Eiras\Os meus documentos

 

Boa tarde Armando,

Junto a foto onde está a minha Mãe quando fez o exame da 3ª classe, em
1917. É a primeira à esquerda, em baixo, a seguir, ao centro, é a
professora. Quanto aos restantes, não sei quem são os seus descendentes.
Só haverá uma pessoa que talvez saiba, é a minha tia e sua prima Aurora,
mãe do Fernando. Ela está num lar em Vila Chã, Pombal, quando eu a
visitar vou procurar detalhes dos descendentes deles.

Quanto ao meu tio Capitão Augusto Henriques (1880-1967), poucas vezes foi
à Sarzedas, a última teria sido por volta de 1950.
Casou com uma senhora da classe média lisboeta em 1925 e não tiveram
descendentes. Ela faleceu nos finais da década de 40. Penso que o
casamento teria acontecido já no período em que o meu tio estava livre do
Ministério da Guerra. Tinha uma vida muito própria que consistia nuns
encontros diários com os seus amigos no Café Chave de Ouro, no Rossio,
bem perto da sua residência e uma quinzena por ano nas termas das Caldas da Rainha.
Veio a falecer em sua casa no dia 25 de Abril de 1967 e está sepultado no 
no Talhão dos Combatentes no Cemitério do Alto de São João. Uma curiosidade: ele era 
maçom, mas ninguém na família tinham conhecimento, nem sabiam o que isso era...
Só há meia dúzia de anos eu vim a saber por outra via.

O padre Carlos Augusto, meu primo, é filho do meu tio Carlos, irmão da minha Mãe. Nasceu
em 1942 em Lisboa e já está aposentado. Vive em Lisboa na avenida 5 de Outubro, numa 
residência do Patriarcado. Tem problemas de saúde de alguma gravidade.

E é tudo, amigo Armando. Um abraço,

Manuel Tomaz. 
  

 

publicado por Sir do Vasco às 19:35

06
Jan 17

PORQUE HOJE É DIA DE REIS, LEMBREI-ME...

 

 

dia-dos-reis

 

 

O tempo de escolarização hoje conhecido por 1º ciclo de Ensino Básico, era anteriormente designado por Escola Primária.

Nas décadas de 40 e 50 do século passado era apenas obrigatório frequentar a escola até às três primeiras classes, passando em 1956 a ser obrigatória, somente para as crianças do sexo masculino, até às quatro primeiras classes. Em 1960, passou a ser obrigatório frequentar a escola até à quarta classe, independentemente do sexo da criança, sendo depois alargada esta obrigatoriedade até às seis classes.

Da minha frequência desse ensino, retenho que era obrigatório fazer exame da 4ª classe. Sei que anteriormente também se fazia exame na 3ª classe. Não é do meu conhecimento quando terminou esta obrigatoriedade, mas deve ter rondado o ano de 1958 ou 1959.

No dia 1 de Outubro faziam-se as matriculas e no dia 7  começavam as aulas. Era normal a criança iniciar a escolarização no ano em que completava 7 anos, no entanto em algumas escolas e de acordo com a vontade ou disponibilidade do professor ou professora, havia quem iniciasse com 6 anos.

Assim sendo no dia 1 de Outubro de 1959 lá fui eu com a minha mãe até à Escola Cipriano Lopes de Almeida em Sarzedas de S. Pedro.

Não, não foi possível o rapazinho, matricular-se. A professora Maria Adelaide Garcia Madeira não o aceitou. Tinha muitos alunos e ele  só tinha 6 anos, ainda que seis e meio, dado que faço anos em Março.

Outubro, 1 de 1960, de novo na mesma escola, a mesma professora, agora sim, e comigo todos os da minha idade e também alguns com menos um ano. A turma com 4 classes tinha 42 alunos. De facto era obra!

No ano anterior apesar de não frequentar a escola frequentei a catequese.

O Padre Arménio Marques era o Pároco, (Embora me lembre do Padre Nascimento celebrar missa na capela  suponho que teria já falecido  nesta data) tenho a vaga ideia de uma ou outra vez o ter visto na Sarzedas de S. Pedro. Tinha um carro antigo, não sei precisar a marca, tipo “arrastadeira”, que os rapazes mais velhos às vezes empurravam quando não pegava doutra maneira. Não sei se, os mais novos, saberão que carro era um arrastadeira, a Citroen teve, não sei se a designação era exclusiva desta marca ou não. Vejam na NET.

A missa na capela era celebrada todos os domingos pelo Padre Américo, de Vila Facaia, que vinha a pé, celebrava na Sarzedas e ia celebrar à Moita.

Existia uma senha de presença na catequese. No final do ano quem tivesse as presenças necessária iria ao passeio final. Junho ou Julho de 1960 passeio à Figueira da Foz.

Neste dia várias memórias:

- Atravessei a serra da Lousã pela 1ª vez. Entre outras animações: "Viva a curva da ferradura!" gritava o Pedro ao microfone da camioneta. Curva da ferradura!?

- Fui à Figueira e vi o mar pela 1ª vez.

- Ouvi a cantiga “Loja do Mestre André” a 1ª vez.

E eu “tinha” uma campainha (se fosse hoje dir-se-ia virtual). O padre Arménio ia cantando e “distribuindo” os instrumentos pelos alunos.

Almoçámos na Serra da Boa Viagem. Alguém trabalhou para levar arroz e pastéis de bacalhau ou croquetes para toda a rapaziada da paróquia. Só me lembro do Pedro sacristão, o incansável Pedro. Fomos pela serra voltámos pelo Pontão. Já lusco fusco, mais de noite que de dia, parámos junto à fonte da ladeira de Alge, mandaram-nos sentar por ali e distribuiram filhós a todos. Imaginem o que era trabalhar para os meninos da catequese!

Entretanto o padre tem um carro novo que não é preciso empurrar. Grande “festa” de observação do dito quando veio à Sarzedas. Um VW carocha novo,  diziam que a matricula, HI-?-?, queria dizer Homem da Igreja.

Verão de 1960 o Padre Arménio é deslocado desta paróquia sendo colocado por cá o Padre Aurélio de Campos. Este teve um acidente com o carro que era pertença da Fabrica da Igreja, o qual foi inutilizado, ou seja foi para a sucata e substituido por outro VW também carocha, de matricula LE-31-26 que queria lembrar o Leitor do Evangelhos

Na flor dos seus 29 anos, fez o início duma nova época.

Muitos recordarão concerteza esse tempo.

Com os meus 7 anos eu não sabia que ele tinha 29, e só o soube há poucos anos atrás no 1º almoço convívio dos antigos alunos do ESD, para mim era tão novo ou tão velho como o outro. Apenas recordo ouvir dizer “ Não é tão bom pregador como o padre Arménio mas é muito bom padre”.

Iniciou-se uma época muito movimentada e inovadora na paróquia.

Pelo menos uma vez por mês, o Padre Aurélio, vinha celebrar missa à Sarzedas. Que pouco tempo mais tarde passou a ser domingo sim domingo não, alternando com o Padre Américo entre Sarzedas e Moita.

A missa, ao domingo,  deixou de ser às oito da manhâ e passou a ser às dez.

Porque hoje é Dia de Reis lembrei-me, não sendo feriado ou dia santo oficial, havia sempre missa na capela e a pessoas guardavam-no como tal.

Presidia aos funerais quando necessário indo a casa dos defuntos fazer o oração de levantamento do corpo. Atualmente quando há funeral, com padre,  este  espera na capela. Entre a capela e o cemitério o cortejo funebre parava duas vezes, o padre fazia uma oração. A paragem também era necessária dado que a urna era transportada a pulso, assim aproveitava-se e trocavam os transportadores.

Depois de alguém falecer, havia sempre a missa de sétimo dia ou seja ao 7º dia a contar do dia da morte da dita pessoa, celebrava-se missa por sua alma.  Incansável o Padre Aurélio, durante a semana, dizia normalmente missa  na Igreja Matriz e numa capela.

Não falhava uma Extrema- unção.

Casamentos, batizados... naturalmente.

Fundou, conjuntamente com a Dra. Maria Cândida Dinis Barreto de  Carvalho, o Externato S. Domingos. Alguém lhe terá "pedido" quando chegou à Castanheira "Ensino, Sr Padre, Ensino é que nós precisamos  na Castanheira" .

"Fui ao Ministério da Educação e trouxe autorização, com alvará para lecionar  em Castanheira de Pera até ao 5º ano." Disse.

Trabalho e inovação.

Quem não se lembra das semanas de pregação, durante a quaresma. Uma semana em cada capelania. À noite, um dia rezava-se o terço, outro rezava-se a via sacra, outro faziam-se confissões. Vinham sempre um ou dois "pregadores" de fora. E depois de um  dia de trabalho as pessoas iam à pregação. Trabalho para as pessoas , trabalho para o Padre. No dia seguinte as missas da manhã, as aulas do colégio e mais o que aparecesse...

Foi um padre presente.

Por volta de 1978, deixou a paróquia.

Conheci o Padre Matos, seu substituto, em 1979 em Pedrógão Grande, tendo ajudado na organização/formação de um Grupo Sócio-caritativo do qual eu fui colaborador.

Consta que gostava de ser tratado por Dr. Padre Matos parece que afirmava: "Sou padre em part-time e o meu lugar não é aqui...". "...missas coletivas... não se pode andar sempre a celebrar missa individuais".

Conta-se  que uma certa vez o Dr. Eduardo Correia marcou uma missa por alma de seu pai, a celebrar na Igreja Matriz. Estava marcada para as 9 horas pelo que, o padre  usou da pontualidade e celebrou a missa. O Dr. Eduardo terá chegado atrasado indo pedir justificações ao padre Matos pelo facto de não ter esperado por ele. Travaram-se de razões tendo o Dr Eduardo ameaçado de ir fazer queixa ao bispo.  "Vá, vá... vá dizer ao bispo que me tire desta m**** desta terra para fora, porque o meu lugar não é aqui." Respondeu-lhe.

Padre Daniel Antunes, enquanto pároco da Igreja Nova, Ferreira do Zêzere, foi professor de Religião e Moral na Escola Preparatória onde eu integrei o Conselho Diretivo. Amigo, colaborador, profissional empenhado, pessoa aberta e de bom relacionamento. Enquanto pároco de Castanheira... não sei nem ouvi contar.

Padre Joaquim...

Padre  (?)

... ausente...

 

dia-de-reis-1-728

 

 

 

 

 

publicado por Sir do Vasco às 23:57

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