Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

23
Ago 19

 

Ontem tive uma conversa agradável com o amigo e parente Mário Nascimento. A meu pedido  fui esclarecido sobre algumas situações relacionadas com parentescos antigos. Sendo a minha trisavó Maria Rosa Helena Lopes, irmã de Maria do Carmo (Helena Lopes???) visavó do Mário. Eram seis irmãos, mais cinco meios irmãos. Nasceram na Balsa, tendo a Maria do Carmo vivido lá, na casa pertencente ao Dr. Rosendo. Nessa casa nasceu  o Padre Nascimento e provavelmente os seus irmãos, Manuel, Piedade e mais uma menina que terá falecido cedo. Depois vieram as curiosidades engraçadas. O único que ficou com o apelido Nascimento foi o José (Henriques do Nascimento) por ter nascido próximo do Natal. O seu irmão  Manuel Henriques dos Santos, avô do Mário, mais tarde teve problemas, devido ao nome igual ao de um individuo da Moita. Assim resolveu adotar o mesmo apelido do irmão para evitar confusões, passando a assinar Manuel Henriques do Nascimento.

O padre José Henriques do Nascimento foi reitor da paróquia de Castanheira de Pera mais de cinquenta anos, tendo celebrado a sua missa nova na capela da Sarzedas de S. Pedro em 1901 e celebrado as Bodas de Ouro sacerdotáis em 1951 como consta de uma lápide existente na capela.

Eu lembro-me do Padre Nascimento e lembro-me dos neus avós o cumprimentarem e tratarem-se por primos. Embora à época já fosse coadjuvado pelo padre  Arménio Marques.

A antiga capela foi destruida em 1973, com exceção do altar mor e da torre, embora  esta tenha sido alteada. O altar porque foi oferecido pelo Sr. Cipriano Lopes de Almeida e a torre pelo seu irmão Manuel Lopes de Almeida. Outras ofertas embora movéis, os antigos  bancos da capela mor, oferecidos pelo Sr. Manuel  de Oliveira  (Ti Oliveira) da Sarzedas do Vasco, foram retirados e não voltaram. No mesmo local e com a integração dos elementos que ficaram foi construida a atual capela, bastante maior.  Esta foi oferta do Sr. Albano Antunes Morgado. Se olharmos o altar de mármore podemos concluir a altura e largura da capela mor antiga.

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publicado por Sir do Vasco às 14:39

07
Mar 19

Para quem tem dúvidas deixo aqui uma indicação aproximada da divisão dos concelhos de Castanheira e Pedrógão.

Não sei porquê os mapas militares e outros provavelmente "copiados" por estes, como o Google, estão errados. Devem existir ainda os mapas dos Serviços Geográficos e Cadastrais, mas não os conheço.

Os terrenos entre a linha verde dos mapas e a vermelha que fiz aproximadamente até onde sei, estão registados na freguesia de Castanheira (Agora com o pomposo nome de "Castanheira de Pera e Coentral" para facilitar).

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publicado por Sir do Vasco às 00:47

Conto conforme ouvi:   Conforme assiná-lo no mapa as principais saidas da Sarzedas do Vasco antigamente, eram estas. Na estrada que ligava à Alagôa, atualmente uma parte, no Torroal,  já não existe, foi ocupada com eucaliptos

Depois da fundação do concelho, os homens da aldeias, com pá, picareta e enchada fizeram, a olho e sem projeto o atual ramal rodoviário até à Melgachinha.

Em 1933 com a ajuda da Câmara Municipal fizeram uma mina de onde levaram água para dois fontenários, ainda hoje existentes, embora sem água da mina. A fonte de baixo estava, inicialmente, no meio do largo, mas tornava dificil a circulação das carroças, pelo que foi deslocada para onde atualmente se encontra, por isso a data lá inscrita é 1935.

A estrada que liga a Sarzedas de S. Pedro foi feita muito mais tarde, talvez 1958...59. Lembro-me disso. Na Ponte Melada passava-se no ribeiro em cima de passadeiras de pedra e os animais passavam por dentro de água.

Mais tarde ainda, 1967, foi alargada a estrada de ligação à Salaborda.

Quando Castanheira foi desanexada de Pedrógão em 1914, a Alagôa ficou integrada em Castanheira, sendo a divisão do concelho desde Melgachinha até ao alto da serra da Sra do Pranto onde ainda hoje se encontram Castanheira, Figueiró e Pedrógão. Os habitantes de Alagôa reclamaram alegando que ficavam muito longe da freguesia.

Vila Facaia era muito mais perto e comparativamente, tinha grande desenvolvimento à época.

Foi-lhes aceite a reclamação e os concelhos ficaram com o recorte de puzzle que hoje temos.

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publicado por Sir do Vasco às 00:32

26
Set 18
Assim de faziam tábuas antigamente. Isto é uma escultura representativa da profissão de serrador. O tronco que está do lado esquerdo com dois apoios chama-se "burra". O do lado direito é apoiado em dois "pontaletes". É este tronco que se corta em tábuas. O serrador que está por baixo trabalha de joelhos e deverá usar boina ou chapéu para que não lhe caia serradura nos olhos. O tronco a serrar era atado com uma corda ao "focinho" da "burra"  para que não saisse do sítio. Este tronco era previamente aparelhado com machado de modo a perder a forma cilindrica e ficar mais prismático. Também eram marcadas as linhas de serragem com um fio molhado em ocre diluido, esticado de ponta a ponta, um pequeno esticão no meio da corda e ficava marcada a linha. Ainda me lembro de ver o meu avô Zé Simões, do Casal d'Além, a trabalhar nisto, na Sarzedas do Vasco, com o Ti João Carvalho (sacristão) do Vitoiral (agora mais conhecido por Souto Fundeiro).  Onde eu gostaria de ter estado era na posição do serrador superior,  mas nunca me deixaram. Não era fácil, o equilibrio em cima do toro ao mesmo tempo que tinha de se puxar e empurrar a serra. Curiosamente guardo a serra que foi do meu avô, como uma relíquia. Até gostaria de a ver exposta, quando for criado o museu rural de Padrógão Grande, visto que ele era deste concelho...!!!!!!!!!??????
 
 
 

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publicado por Sir do Vasco às 00:17

06
Set 18

Não passará pela cabeça dum Encarregado de Educação da maioria dos alunos que frequentam actualmente as nossas escolas que fosse servido ao seu Educando, na cantina da escola, um lanche composto de uma ou duas cenouras, um ou dois tomates e umas rodelas de pepino. Nos países nórdicos isso é um hábito enraizado e se algum E.E. manda um bolo ou bolacha, chocolate nem pensar, ao seu educando, o mesmo é-lhe “confiscado” e devolvido para casa.

A minha esposa deparou-se com estes hábito há mais de vinte anos quando fez o primeiro intercâmbio entre escolas europeias. A colega que a recebeu na Dinamarca, deu-lhe o “almoço” dentro dum saquinho para levar para a escola: Um tomate, duas cenouras e umas rodelas de pepino, com uma fatia de pão preto. Tudo bem! Isto ampara até ao almoço. Só que o almoço não apareceu e teve de se contentar com aquele ”almoço”. Um dia, dois dias, três dias e nada mudou, pelo que teve que “aportuguesar”, valendo-se dos supermercados mais próximos.

Um casal conhecido com filhos foi uns dias a Itália. E porque quando se vai passear nem sempre se pode perder tempo em restaurantes e porque no estrangeiro, dum modo geral os restaurantes são pouco compatíveis com as economias de alguns portugueses, foram procurando matar a fome com sandochas de queijo e fiambre. Não sendo de total agrado de todos mas especialmente do marido, que reclamava constantemente. Quando preparavam uma dessas refeições, num banco do jardim, repararam que outro casal, também com filhos, fazia o mesmo ali perto, só que o almoço deles era pepino com pão. Ao ver aquilo o nosso amigo portuga virou-se para a esposa e disse: “Somos ricos! As nossas sandochas são uma maravilha. Querida, dá-me cá mais uma!”

Reportando-me aos anos sessenta do século passado, entre os meus sete e dezassete anos de idade, na Sarzedas do Vasco, só se aprimorava a merenda quando haviam pessoas de fora a trabalhar em casa dum patrão qualquer. Como já referi em posts anteriores era hábito o patrão dar a merenda. Em situação dita de todos os dias, as pessoas merendavam conforme lhe dava mais jeito e sem um ritual rigoroso de horário para cumprir.

Os restos do almoço, de hoje ou de ontem, pão, normalmente broa, com azeitonas era um requinte. Pepino cortado em fatias ao comprido, com sal. Nada mau. Eu comi muitas vezes. Cebola com pão. Já não sabia tão bem, mas também comi. Cenouras eram pouco cultivadas, pelo que também pouco consumidas. Tomate com ou sem sal, não comia na época. O adocicado do tomate não me sabia bem. Tudo isto de produção própria. Ia-se ao quintal colhia-se e comia-se. Não se comprava mas também não havia quem vendesse. Isto na época... porque fora dela__não havia não se consumia… bom agora os mais novos não sabem quando é a época da maioria dos produtos, tal como não sabem que as galinhas é que põem os ovos…

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Um ocasião fui “obrigado” a comer uma fatia ou duas de tomate com sal, já com dezoito ou dezanove anos. Estava no estabelecimento do Sr. António Rosa, em Vila Facaia, quando chegou o carteiro da sua habitual volta, que por sinal era o meu primo Anacleto. Fez o trabalho que devia, acondicionou as cartas que recolhera dentro da mala, preencheu alguns papéis, porque dai a pouco viria o carro do correio que levaria tudo para a central em Coimbra. Depois disto convidou-me para beber um copo, literalmente um copo de vinho. O Sr. Rosa acompanhou-nos também. Entretanto chega o Sr. Manuel Dinis e paga segunda rodada. Por volta das seis da tarde digamos que o almoço já tinha ido e o vinho estava a cair no fundo do estomago. Eu que não andava derrubado com o peso do dinheiro, mas para quatro copos de vinho ainda tinha, pelo que não querendo ficar mal, paguei terceira volta, mas custou-me mais beber o vinho do que pagá-lo. O Sr. Rosa embora sendo o dono da taberna oferece também o quarto copo. Apesar deles estarem habituados, provavelmente também tinham pouca cama para o vinho, pelo que antes de oferecer a rodada, o Sr. Rosa pegou num ou dois tomates madurinhos, cortou-os aos gomos e pulverizou com sal grosso e distribuiu-os por nós. Eu não disse que não queria o bocado do tomate por vergonha, mas acho que o engoli duma só vez sem mastigar. Hoje sou amante duma boa salada de tomate, mas por incrível que parece foi na tropa que comecei a comer tomate.

Nunca fui amante de grandes leituras. A primeira revista que coleccionei chamava-se “Mundo da Canção” em 1970. Encadernei-as mais tarde e ainda as tenho. Li alguns romances, normalmente depois de recomendados, já não os conto pelos dedos.

Terminei “Cebola crua com sal e broa” e ao seu autor, Miguel Sousa Tavares, devo este desabafo. Nunca fui grande apreciador das suas opiniões e com menos apreço fiquei quando ele fez críticas aos professores tendo na altura demonstrado alguma falha de conhecimento da situação, vindo a sofrer fortes críticas da classe.

Não imaginaria nunca que ele tivesse lanchado dias seguidos cebola crua com sal e broa. As “voltinhas” que os pais precisaram de fazer para que nada faltasse! Filho de quem de quem foi, teve todas e muitas portas abertas. A leitura do seu livro não mudou muito a minha opinião, mas admiro a coragem que teve em fechar essas mesmas portas, quando não se sentia bem.

Leitura recomendada sobretudo a Encarregados de Educação que  reclamam por aparecer uma lagarta na salada, mas não sabem ou não querem saber, que muitos caixotes do lixo nas escolas enchem-se com fruta, bolos e sandes deitados fora pelos alunos.

publicado por Sir do Vasco às 19:14

17
Jun 18

Hoje todos juntos em Sarzedas do Vasco, no largo da fonte de baixo.

Quase todos os moradores.

Alguns sarzedenses, não residentes.

Alguns descendentes.

Passa um ano sobre o trágico fogo de 17 de junho de 2017.

Fogo como nunca se viu.

O pior que tinhamos tido, foi no final dos anos sessenta, uns nove ou dez focos de incendios no mesmo dia, os cerca de 100 habitantes à época facilmente dominaram.

O ano passado não foi assim.

Consumiu tudo por onde passou.

Ninguém lhe pode fazer frente.

Vitimou cinco dos nossos.

No conjunto com Sarzedas de S. Pedro e Balsa foram 11.

O 11 parece ser numero fatídico. Mas só Nodeirinho "conta".

É sobretudo pelos nossos que aqui estivemos.

Recordá-los, dizermos que temos pena que nos tenham deixado.

Não havia arco de S. João na fonte. Ainda não é S. João!.

A Natalinha e a Fátima tiveram a ideia.

Ficou, no poial da fonte, uma escultura simbólica, alusiva aos que partiram.

A Fátima leu uma prece, repositora de alguma paz.

Para todos os presentes e eventualmente alguns que gostaria de estar mas não puderam.

Os outros, afinal não fizeram falta, tal como as TVs.

 

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publicado por Sir do Vasco às 22:23

21
Mar 18

DESCENDENTE DA SARZEDAS DO VASCO

PADRE CARLOS AUGUSTO

Recebemos do Sr. Manuel Tomaz  a  triste notícia deste falecimento.

Era eu rapaz de escola primária quando este Senhor, já padre à época, esteve uns dias em casa dos seus familiares: a avó, Ti Rosa da Quelha como era conhecida e/ou da tia, a Ti Dialina, mãe deste Sr Manuel Tomaz, da Senhora Aurora, do Sr. Salvador e do Sr Carlos (falecido). Este Sr. Padre Carlos era primo direito destes últimos. Paz à sua alma.

Transcrevo:

"Venho dar-lhe a infeliz notícia do falecimento do meu primo Padre Carlos Augusto (12 de Dezembro de 1942 - 19 de Março de 2018).
Sofria de entre outros problemas, de um linfoma no sangue. Porém, viria a falecer devido a um "volvo no intestino", que foi fatal em poucas horas após ter dado entrada no hospital.
Nasceu em Lisboa. Filho único do meu tio Carlos, irmão da minha mãe, e de Dárida, natural de Vila Flor, Bragança.
Após a instrução primária frequentou os Seminários de Santarém, Almada e Olivais, onde se ordenou.
Pertenceu às Paróquias do Espírito Santo (Olaias) Lisboa e São Nicolau (Baixa de Lisboa). Exerceu também funções nos serviços de notariado do Patriarcado de Lisboa. Há já algum tempo, após a reforma, morava numa residência do Patriarcado, na avenida 5 de Outubro."

Junto foto gentilmente cedida pelo Sr Manuel, onde se apresentam o Padre Carlos com seus pais.

TIO CARLOS. TIA DARIDA E PRIMO CARLOS AUGUSTO 001.

 

 

publicado por Sir do Vasco às 16:51

17
Fev 18

Daqui a sessenta ou setenta anos, se não voltar a arder poderá haver pinheiros como estes na Sarzedas. Pinheiros cortados no Torroal depois do incêndio de 17 de junho de 2017. Deveriam ser dos mais antigos existentes nos limites da aldeia. Nota-se neles a cicatrização interior das feridas provocadas pela resinagem ainda do tempo em eram feitas pelo método antigo. A procura da seiva era feita no lenho. Atualmente e feita na casca e estimulada com ácido.

 

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publicado por Sir do Vasco às 00:17

26
Dez 17

 

Deixo aqui também os parabéns à Joana e o obrigado à sua mãe pela cedência e autorização desta foto.

Esta jovem hoje adulta,  aqui do Ribatejo Norte, faz hoje anos e porque achei interessante esta foto pedi para publicá-la neste blog.

E qual a relação com a Sarzedas do Vasco? Apenas no andarilho dela quando bebé.

Eu tive um assim, com três rodinhas, feito em madeira pelo meu avô. Durou até eu ser adulto, depois desapareceu... mesmo agora tenho pena de não o ter guardado. Como eu outros tiveram o mesmo treino. Era a aranha de  antigamente e assim os bebés começavam e se habituavam a dar os primeiros passos.

 

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publicado por Sir do Vasco às 21:02

15
Out 17

A SALVAÇÃO

 

Hoje tive um motivo que me trouxe aqui e começar a escrever sobre a salvação. Não pensem que “virei” Testemunha de Jeová, não é isso. Contudo a SALVAÇÃO que vou falar, digamos que originalmente está também relacionada com a salvação da alma.

Umas mais do que outras, as pessoas todas pretendem a salvação. Umas mais a salvação do corpo e outras pensarão também na salvação da alma.

A "SALVAÇÃO"  era a formulação de um desejo entre duas pessoas que se cruzavam no caminho.

Como católico, embora pouco praticante, continuo a ir à missa aos domingos. Como crente eu também procurando “A Salvação”. Hoje quando passava no largo na igreja, passavam também uma senhora e um cavalheiro em plena conversa e dizia ela: “...zangou-se e deixou de me dar a salvação!”. Assim, pensei eu neste post e neste tema. A salvação. Antigamente a salvação era um uso de toda a gente em todas as aldeias e na Sarzedas também. Este hábito perdeu-se e onde ou quando existe, foi muitas vezes deturpado do original. Quanto mais novas são as pessoas menos cumprimentam os outros e se forem desconhecidos pior ainda. Na Sarzedas sempre ouvi um pessoa ao passar por outra dizer “Bom dia” “Boa tarde” “Boa noite” conforme a situação. Poucos invocavam Deus para a salvação. Lembro-me, no entanto, do Ti Oliveira que dizia sempre “Bom Dia nos Dê Deus” ou “Até amanhã se Deus quiser”.  Chegava-se à incoerência de pessoas estarem zangadas e no entanto desejarem  "Bom dia ou Boa Tarde" uns aos outros. Não tanto durante o trabalho diário, mais ao Domingo ou quando se cruzavam com alguém mais "importante" os homens levantavam o chapéu da cabeça. Negar a salvação era o pior que podia acontecer, era o corte total duma pessoa com o seu semelhante.

Os mais velhos lembrar-se-ão das locutoras da TV se despedirem com esta última frase. Era obrigatório antigamente. Atualmente algumas e alguns, poucos, o fazem por convicção naturalmente.

A salvação era assim o desejo que uma pessoa demonstrava perante a outra de que tudo lhe corresse bem.

Agora, ouve-se muitas vezes a ignorância de alguns pretender fazer humor onde de facto não existe. Alguém diz “Boa Tarde”, fequentemente ouve-se em resposta “Vens Tarde? Viesses mais cedo!”. Este é um agradecimento pouco ortodoxo a quem deseja que a tarde seja boa. A salvação é um desejo não uma constatação.

Se recuarmos  no tempo  "avé" significava "salvé". Cristo dizia "a paz esteja convosco".

Atualmente há quem diga "Olá!

Outras formas menos usuais entraram no nosso léxico: do italiano "ciao" aportuguesado "tchau!", do inglês "bye-bye", do brasileiro "oi pessoau" ou  "oi tudo bem".

Embora bastante usada antigamente, "adeus" talvez com significado de "Até Deus" hoje em dia  quase  ninguém usa, não sei se por medo de se voltarem a encontrar apenas juntos de Deus ou por outra razão. Há quem defenda mesmo que "adeus" é antónimo de "oi, olá, hello" e sinónimo de "tchau, good bye, saudações, saída, embora".

Encontrei no blog “Atenta Inquietude” um post muito interessante sobre o tema, com a devida vénia ao autor Zé Morgado, transcrevo.

http://atentainquietude.blogspot.pt/2010/11/dar-salvacao.html

Como o povo costuma dizer estamos sempre a aprender. Fiquei hoje a saber través do JN que o dia 21 de Novembro é o Dia Internacional da Saudação e tem como objectivo a promoção da paz através do cumprimento. O jornal dispõe ainda de alguma informação sobre as formas de cumprimento em diversas paragens.

Do meu ponto de vista, falta um dos muitos enunciados que a língua portuguesa tem e que me encantam, “dar a salvação”, isto é, cumprimentar. Desde miúdo que à minha avó ouvia esta expressão e a recomendação de que sempre que se entra em algum lado ou se passa por alguém, conhecido ou não, se deve dar a salvação. Este comportamento perdeu-se quase completamente, ninguém se cumprimenta ao cruzar-se na rua, excepto se for conhecido, naturalmente, e quando se entra num qualquer local, um café, por exemplo, e se solta um bom dia, a maioria das pessoas não liga e alguns olham-nos como alienígenas. Alias, tal estranheza verifica-se quase sempre que se cumprimenta alguém desconhecido com que nos cruzamos, convido-vos à experiência.

No meu Alentejo, como provavelmente noutras paragens, ainda muita gente dá a salvação na rua e, acho lindíssimo, alguns dos homens mais velhos ainda levam a mão ao chapéu ou à boina. E também se mantém para muitas pessoas o hábito de um cumprimento global ao entrar num espaço público.

Dirão que nada disto parece relevante e, provavelmente, não o será. Mas cumprimentar alguém com que nos cruzamos tem a enorme consequência de que esse alguém é olhado e interpelado, deixou de ser transparente, tornou-se visível, vivo. Num mundo em que as relações interpessoais são cada vez mais em suporte virtual e em que as pessoas estão mais sós, mas com uma “rede social imensa”, não é questão de somenos.

Finalmente, esta ideia de poder receber de alguém, ou poder oferecer a alguém a salvação é, no mínimo, reconfortante. Mais do que nunca.

Obrigado Zé Morgado.

publicado por Sir do Vasco às 23:42

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