Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

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Jul 15

 

"DE-MO EM MASSA, QUE EU MESMO EM MASSA O COMO"

Em modesta opinião, julgamos que em Portugal atualmente só passa fome quem não quer fazer a "ponta dum corno". Não haverá empregos, ditos bons empregos, mas há muito onde realizar algum dinheiro, sem roubar. Até a pedir se ganha (ou adquir muito) dinheiro, que para alguns, dá para viver.

Enquanto der para brincar com a comida a coisa vai boa! Não somos contra isso.

Hoje a SIC mostrou no jornal da tarde, ali para os lados do Cartaxo, alguém que brinca com as flores de curgete, com recheio que vão ao forno e faz-se algo de comer o chorar por mais. Mostrou também uma produção de plantas aromáticas de "grande sucesso". Também não somos contra.

Mas produções de alimentos, digamos que principais, como batata, feijão, couve, etc, aqueles que são efetivamente necessários no dia a dia da alimentação das pessoas, esses poucos se dedicam a produzi-los... afinal ainda importamos alimentos! Será por não produzirmos suficiente ou por vantagens comerciais?

Na Sarzedas do Vasco, como já referimos, as pessoas viviam do que produziam, contudo com famílias numerosas e com poucos terrenos cultiváveis, nem sempre a abundância era suficiente para que não houvesse fome. Não temos  conhecimento de haver cultivo de curgetes nas hortas da aldeia. Havia sim cultivo de abóboras cuja flor é parecida. Nunca ninguém se terá lembrado de comê-las! Muito menos de recheá-la!

Hoje há tempo para brincar com as comidas, os antigos não tinham esse tempo.

Isto faz-nos lembrar uma estória que ouviamos contar lá na terra. Um certo rapaz tinha por obrigação como muitos outros ir "tirar o gado" ou seja apascentar as ovelhas mas como tinha fome e sabia que a mãe ia cozer o pão foi protelando a saída do gado até que a mãe se põs ao alto com ele e o obrigo a ir embora ainda que com grandes protestos, já que a fome não o deixava. A mãe dizia-lhe  "...o pão vai lá ter". Lá foi para os ladas do  Torroal não se afastando muito da aldeia. Passado algum tempo, dado que ninguem lhe levou a merenda e a fome era ainda mais, abandonou o gado e veio ao lugar ver se a mãe já tinha pão cozido.

"Venho à procura do pão!" Terá ele dito à mãe.

Ao que ela respondeu: "O pão ainda está em massa, vai guardar o gado!" 

Disse o rapaz: "Ò  minha mãe, de-mo em massa, que eu mesmo em massa o como"

Não havia tempo para brincar com a comida!

publicado por Sir do Vasco às 14:19

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