Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

30
Set 16

broa

 

Hoje (ontem, já foi ontem) uma amiga, antiga colega de colégio, Liliete Graça, publicou no FB uma imagem com um conjunto de broas dentro dum forno.

E pergunta ela: “Que vos lembra?”

A brincar eu respondi: “A manteiga, pão quentinho, manteiga fresquinha.”

Na verdade o que me ocorreu de imediato quando vi a imagem foi a recordação da minha avó Conceição e da minha mãe, quando coziam o pão. Que eu nunca comi com manteiga nessa altura. O que às vezes me calhava, na Páscoa, era uma broita pequena com açúcar e erva doce.

Esta imagem deu origem a um conjunto de comentários, que todos eles me fazem lembrar a Sarzedas do Vasco há muito anos atrás.

A broa que se cozia e guardava na arco do milho.

A broa, que assim, durava quinze e não endurecia.

A broa que se acabava e por vezes não dava jeito cozê-la  de imediato, pedia-se uma emprestada à vizinha. Talvez o moleiro não tivesse passado, é que era preciso mandar milho pelo moleiro que o levava ao moinho, no caso sempre na Ribeira de Pera, retirava a maquia, e só passado um dia ou dois voltava com a farinha. A maquia era uma parte que o moleiro retirava, para se pagar do trabalho que tinha.

A arca do milho que guardava ovos também.

A arca que servia de mealheiro.

E as peras duras que se punham na arca do milho e ficavam macias em poucos dias.

E como as conversas são como as cerejas falou-se dos chouriços que se faziam.

Das escamisadas. Ah! Que saudades de facto! (escamisadas ou descamisadas era o ato de retirar a capa das espigas, várias pessoas sentavam-se à volta dum monte de espigas de milho e retiravam-lhe a capa. Quando aparecia uma espiga de milho vermelho, chamado milho rei, quem o descamisava teria de dar um abraço a todos os outros presentes).

O papo-seco que se comia às vezes. Por falar em pão de trigo, lembro-me que na Sarzedas só às vezes vinha o padeiro. Quem se lembra do Zé Padeiro, que Deus o tenha? Vivia no Carregal Cimeiro e quando começou a vir dar a volta, trazia um cabaz de pão às costas da padaria do Troviscal até à Sarzedas! Hoje algum padeiro sabe o que é isso?

 

E já agora a minha história do papo-seco.

No início dos anos sessenta, a Cáritas distribuía aos alunos da catequese (ou da Escola?) leite em pó, farinha de milho, farinha de trigo e às vezes queijo. As crianças levavam para casa…   … naturalmente toda família comeria. Como já havia cabecinhas pensadoras nessa época, resolveram entregar a farinha ao padeiro (porque se os pais ou irmãos comessem podia-lhes fazer mal) este passou a levar papo-secos todos os dias à escola, a todas as escolas. Um papo-seco por cada aluno. Claro assim já não era distribuído para levar para casa. Não terá chegado a ser um ano lectivo completo. Foi um “bodo às crianças” que se acabou depressa.

Um papo-seco por dia!

Hoje se comer um pastel de nata, um brigadeiro ou molotov não me sabe tão bem com sabia aquele papo-seco.

https://www.facebook.com/lila.graca.1/posts/990885991057279?comment_id=990936904385521&reply_comment_id=991156394363572

Obrigado pela foto já que mandavas partilhar eu aproveitei deste modo.

publicado por Sir do Vasco às 02:03

1 comentário:
Broa com manteiga, lá na Sarzedas, também nunca comi. Só conheci o paladar da manteiga quando, com 13 anos, fui para Lisboa. A Caritas, nos meus tempos de escola, ainda não passava por lá...
Mas tenho uma recordação da Broa da Sarzedas: Uma rapariga da minha idade, do meio do lugar, felizmente ainda está entre nós, costumava dizer para a mãe, na hora de comer o caldo das couves: "Oh mãe, eu quero no prato broa por baixo, broa por cima e broa para comer com o caldo". Isto passava-se no início dos anos 40. Eram tempos de vacas muito magras...
Gostei muito da sua postagem. O meu abraço.
Manuel Tomaz.
Manuel Tomaz a 8 de Outubro de 2016 às 11:13

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