Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

19
Jul 15

Passa pouco das 10 horas da manhã. Um grupo de Sarzedenses, quinze ou dezasseis pessoas de Sarzedas do Vasco inicia uma caminhada de cerca de 2 horas e tal até ao Fontão Fundeiro. É dia de festa da Nossa Senhora da Saúde. A missa é às treze horas e é melhor ir andando para não chegarmos atrasados.  Cada um leva seu lanche, porque depois da procissão lá por volta das tres e tal ou quatro da tarde é melhor aconchegar o estomago. Subimos até ao Alto da Alagoa, atravessamos por estrada de terra até encontrar o ramal de Campelo já na subida, agora até ao alto da Senhora do Pranto temos a estrada municipal que não sendo alcatroada é melhor do que os carreiros no meio do mato. Mais dez minutos e estamos no alto. Descemos depois até Vilas de Pedro e numa pequena pausa já merecida, pois já estamos no caminho há mais de uma hora, molhamos o bico no grande fontenário de água corrente, cristalina e fresca, que fica no largo principal, mesmo ao lado da estrada.

Alguns despacham-se e vão espreitar pelo postido da capela da Nossa Senhora do Pranto que fica cinquenta metros á frente. Logo a seguir a esta capela cortamos à direita por um caminho agricola que atravessa por entre milheirais, geiras de feijões verdes, couves , alfaces, abóboreiras e outras plantações desta época. O ambiente é de frescura, apesar das 11 e tal e do Sol escaldar, cheira a terra regada de fresco e apesar de ser Domingo alguém anda a aguar o alfobre ali mais abaixo.

Já entrámos agora numa zona de pinhal que vamos atravessar. Depois de subir e descer duas ou três colinas a última descida levou-nos à entrada da ponte no inicio da aldeia, sobre uma pequena ribeira cujas margens estão cheias de hortas bem tratadas. Agora é sempre a subir até à capela. No inicio desta subida, junto das primeiras casas da aldeia, uma quelha à direita leva-nos à fonte, eu e mais alguns fizemos mais este desvio e fomos de novo dar de beber ao corpo e voltámos, apressámos o passo para apanhar de novo o grupo que foi andando.

É meio dia e meia, chegámos ao recinto, vamos à capela e vamos esperar pela missa.

A missa começou ligeiramente atrasada, a capela esta cheia de gente, se isto não fosse a casa de Deus, diria que está um calor infernal. Missa de festa demora sempre mais, missa cantada, com três padres. Os andores ocupam parte da capela mor pelo que os homens que assistem à missa estendem-se até à porta exterior da sacristia. Na entrada principal algumas mulheres assistem á missa  na rua e o som que lhes chega vem das campanulas de som, instaladas na torre.

...   ...   ...   ...   ...   ...  

São quase quatro da tarde, a procissão terminou há pouco. O "rato já roe na barriga" vamos procurar um sombra  ali no pinhal ao lado e fazer o pic-nic. Aqui perto está uma "taberna" de festa: Uma carroça  tem três pipos em cima, um tabuleiro com vários copos  e vários jarros de barro vermelho pendurados pela asa num cabide feito com um pau e pregos espetados, umas grades com laranjadas e outras com cervejas. A mula que puxara a carroça está presa a um pinheiro uns metros mais abaixo a recompor-se com uma facha de palha. À volta da carroça várias estacas espetadas no chão suportam umas tábuas em cima, em forma de U. Enquanto as mulheres do grupo estendem as toalhas no chão em cima da caruma e debaixo da melhor sombra escolhida, os homens abeiram-se do "balcão" e pedem um jarro cheio. Alguns preferem só tinto outros compram uma laranjada e fazem uma mistura. Levam o jarro até à "mesa" o qual entregarão de volta depois de vazio. Apesar de estar quente como caldo o conteúdo do jarro vai-se dividindo com um mesmo copo que passa de pessoa em pessoa. É bom e sabe a festa.

Entretento a banda filarmónica já terminou o pequeno concerto que tocou, com os músico em pé, em frente à capela.  O Locutor de serviço  pede a presença de um mordomo através do som atirado para as campanulas na torre. Vão iniciar o leilão das fogaças. Quanto vale? Quem dá mais? Ninguém dá mais? Vou entregar ...   ...   ...   um ...   dois...   três. rum catrapum e pum! Está entregue.

Agora o nosso estomago está composto, são cinco da tarde esta-se aqui bem mas temos que voltar ao caminho... A Sarzedas do Vasco fica a duas horas e tal de distancia e enquanto de manhâ "IAMOS PRÁ FESTA!"   agora "vimos da festa!".

 

Esta notícia que aqui publico só tem de verdade o facto de ter havido missa e procissão. Só nos anos sessenta do século passado isto poderia ter acontecido, em 1966 ou 67 pode ter sido verdade.

Hoje ninguém vai a pé da Sarzedas do Vasco à festa da Senhora da Saúde, Ainda que fosse não atravessaria do Alto da Alagoa para o ramal de campelo, agora alcatroado.  Não há milheirais nem hortas à saída de Vilas de Pedro, Não se conhecem carreiros nem atalho pelo meio do mato. Não há hortas bem tratadas  à entrada do Fontão. Só a  fonte velha ainda lá está à direita ao fundo da quelha.

A escola primária fechou. A missa não é cantada, não é rezada na capela. É missa campal debaixo dos plátanos que já estão grandes e com boa sombra. Como na maioria das romarias populares da nossa região, é uma missa vulgar, não cheira a festa, não é incensada e é presidida apenas por um sacerdote. Este ano por acaso foi o Vigário Episcopal para a Pastoral.

Não há mais tabernas de festa. Não haveria fregueses, ninguem compraria bebidas "chocas" ah! ah!  e a ASAE não permitiria, seria um perigo para a saúde pública (não sei como ainda aqui estou!) Também não há pessoas a comer os farneis debaixo dos pinheiros.

Continua a existir o mini concerto dado pela banda filarmónica, seguindo-se os leilões de fogaças.

A missa campal foi uma boa alteração dado a grande afluencia de peregrinos que continua a existir. A capela não é original, tendo sido construida de novo no mesmo local, foi feita com "vistas curtas" porque ficou de tamanho semelhante à antiga. Num local onde as necessidades são visiveis e o espaço não falta, poderiam ter construido um templo mais bonito e mais espaçoso uma vez que a opção foi deitar abaixo e fazer de novo.

As fogaças são transportadas de mota quatro, compreende-se... mas perde-se o efeito das fogaceiras na procissão.

Os enfeites do arraial deixaram de ser de papel de seda e como em muitas outras festas, passaram a tela de plástico  recortada. Um ponto talvez positivo, talvez evoluido: usaram apenas duas cores azul e branco. Digo "talvez evoluido" porque nota-se aqui uma pretensão de tornar  o aspeto fino, mas fico em dúvida se isso é melhor!!! Festa de arraial é isso mesmo muita cor, muita poluição visual é isso que dá aspeto de arraial popular quando se pretende "snobar" o  arraial torna-o numa festa de finalistas ou num baile de fim de ano.

Sra Saúde 2015 (2)

Sra Saúde 2015 (1)

Sra Saúde 2015

 

publicado por Sir do Vasco às 23:22

08
Jul 15

linita076.jpg

 

 

 

Familiarmente conhecida por Linita, prima Lina, Maria Aline Rosa Simões, faleceu ontem.

Trabalhou nas Finanças em Tomar e Coimbra, enquanto "correu" atrás da licenciatura em Ciencias Geográficas. Tanto quanto conheço terá sido a primeira pessoa (eventualmemete a segunda??) licenciada, que nasceu em Sarzedas do Vasco.

Dedicou depois a sua vida ao ensino, tendo fixado residencia há vários anos em Leiria. Aqui faleceu numa clinica privada, depois de alguns meses de algum sofrimento.

O avô dela era meu tio bisavô, sendo portanto sua mâe prima direita de meus avòs maternos.

Pessoa por quem tinha muita estima. Estou sentido pelo acontecimento.

Paz à sua alma!

publicado por Sir do Vasco às 09:24

29
Mar 15

Diziam os antigos que quando chovia em Domingo de Ramos era bom sinal, daí o ditado "Ramos molhados anos melhorados". Hoje domingo de Ramos não choveu, vamos contudo, desejar que o ano seja bom.

Mais uma vez recordamos com nostalgia a benção dos Ramos na Sarzedas de S. Pedro. O cheiro a louro e alecrim que pairava no ar, ramos enormes com três ou quatros metros de altura a tocar nos candeeiros da capela, enormes pernadas de loureiros com alguns ramos de oliveira e alecrim atados. Um lirio ou uma camélia a enfeitar faziam a cobiça de quem não os tinha. 

Hoje, aqui no Ribatejo norte, estivemos presentes  numa das cerimónias da Benção dos Ramos. Quase todos levavam uns raminhos envergonhados com 15 ou 20 centimetros de comprimento, ramos de oliveira, alecrim ou de outra planta qualquer. Apenas uma pessoa levava um ramito de louro.

O que importa é o significado.

As Escrituras falam-nos de ramos de  OLIVEIRA  e PALMEIRA com que saudaram Jesus Cristo quando entrou em Jerusalém.

Já na antiguidade a oliveira  oliveira-1.jpgera sagrada para a deusa Atena e com uma coroa de oliveira era presenteado o vencedor de Jogos Olímpicos. As portas e os pilares do Templo de Salomão eram feitos de madeira de oliveira e o seu óleo era utilizado em cerimônias de consagração aos sacerdotes judeus.

 

A palmeira, no Egito antigo, era associada a Osíris e era símbolo de união com Ísis. Quando Jesus Cristo entrou em Jerusalém, a multidão saudou-o  com folhas de palmeira. Ela é o símbolo da vitória de Cristo sobre a morte.  As folhas de palmeira eram utilizadas em funerais, representando assim a vida após a morte. 

O loureiro, em Roma, era o símbolo de Apolo, pois representava a vitória, a glória e as recompensas. Os romanos acreditavam que os ramos e folhas de louro protegiam contra os relâmpagos, quem os utilizavam.  (Antigamente na Sarzedas quando trovejava, punha-se o resto do madeiro de Natal a arder um pouco na fogueira e quando já estava em brasa, colocava-se na soleira da porta com uma cruz de louro, do dia de Ramos, em cima, a qual ia ardendo devagar, para afastar a trovoada, é claro que enquanto estas etapas se desenrolavam todas, a trovoada já tinha afastado)

louroOs sacerdotes romanos utilizavam os ramos para borrifar água ou sangue de sacrifícios nas cerimônias nos Templos, e aí deu origem à tradição cristã de borrifar com a água benta em algumas cerimónias.
Os gregos acreditavam que as folhas de louro davam o dom da poesia e da profecia.
Em Atenas, a coroa de louros e de oliveira era símbolo de distinção e glória. Apesar de não ter valor material, a coroa tinha um significado muito especial para os atletas 

 

alecrim.jpgO alecrim era queimado nos santuários da Grécia antiga e o seu fumo era utilizado na idade média para desinfectar e afastar maus espíritos. Nas escolas gregas eram usadas auréolas de alecrim nas cabeças das crianças para melhorar nos exames.

Os gregos denominavam o alecrim  “flor por excelência”, e dela se serviam para tecer suas coroas, que utilizavam em  certas ocasião festivas.

 Em muitas regiões de Portugal substitui a palma e a oliveira na festa religiosa do Dia de Ramos.

 

 

 

 

 

publicado por Sir do Vasco às 22:53

23
Nov 14

NO PRINCIPIO DOS ANOS SESSENTA NA FONTE VELHA.

NOTA-SE UMA MACIEIRA REINETA  QUE ALI EXISTIA E MILHO POR DETRÁS DOS AVÓS DOMINGOS EIRAS E CONCEIÇÃO EIRAS.

A SEGUNDA IMAGEM MOSTRA O MESMO LOCAL ARRANJADO. ONDE HAVIA A MACIEIRA EXISTIAM VIDEIRAS EM 2007.

 

avós

Fontvelha final

 

 

 

publicado por Sir do Vasco às 19:43

 

OS MESMOS ARTISTAS

EM  CASTANHEIRA DE PERA

1962 NO JARDIM

 

 2012 JUNTO À PRAIA DAS ROCAS

 

1962

 

DO ZÉ CARLOS3

 

 

 

 

publicado por Sir do Vasco às 19:35

 

Na impossibilidade de ter uma foto antiga do largo da fonte de baixo, resolvi reproduzir em tela a imagem que guardo daquele local nos anos sessenta do séc. XX.

Não posso garantir a total fidelidade de alguns pormenores, mas a vista geral era muito próximo do que apresento a seguir:

A larg fonte

 Aqui vê-se o aspeto atual do mesmo sítio:

fundo da rua (1)

 

publicado por Sir do Vasco às 18:56

20
Nov 14

 

ANDAM POR AÍ A ASSASSINAR CASTANHAS

Ora com uma facada profunda pelas costa

 

castanha

Ora sendo mais de raspão

castanha (2)

 

 

 

 

 

 

 

 

Ora totalmente desventrada pela barriga

castanhas

 ou pelo rabo

castanhas (1)

 

PORQUÊ? 

Perguntamos nós?

 

Tudo isso é mecadologia se quisermos falar português ou marketing se usarmos linguagem mais "up". 

Todos os cortes  deste tipo, que possam fazer às castanhas, apenas as estraga e dificulta o descasque, Depois de assada tende a partir-se.

Afinal, inicialmente, as castanhas levavam um pequeno corte quando iam a assar para que não rebentassem. Simplesmente para que não rebentassem. Isto quando eram assadas em assador, em cima da trempe na fogueira da cozinha.  O assador era, geralmente,  uma panela de aluminio ou outro metal com vários furos no fundo  e aguentava com o rebentamento.  Mas quando uma castanha rebentava era como um petardo e isso era incómodo dentro da cozinha.

Qundo se fazia um magusto na rua, ( já publicamos um post sobre isso) em que as castanhas eram assadas com agulha de pinheiro, (na Sarzedas "não havia" caruma!!!???) não se cortavam. Algumas rebentavam durante a queima o que tornava o convívio mais animado.

Portanto propomos que moseguem assim:

castanha (4)

 ou ainda, para facilitar o descasque depois de assada:

castanha (5)

de qualquer forma retirando apenas a casca.

Bons magustos!

publicado por Sir do Vasco às 23:16

06
Nov 14

AS FOTOS ANTIGAS QUE SE SEGUEM FORAM CEDIDAS PELO SR. MANUEL TOMAZ. A 2ª E 3ª FORAM TIRADAS PELOS SR. SALVADOR TOMAZ.

OS NOSSOS AGRADECIMENTOS.

 

C:\Documents and Settings\Eiras\Os meus documentos

A menina sentada do nosso lado esquerdo, com saia escura, na primeira foto, e a Sra. de pé com casaco escuro na segunda foto, são a mesma pessoa, tendo sido a mãe do Sr. Manuel Tomaz  e de seus irmãos e irmâ.

 

C:\Documents and Settings\Eiras\Os meus documentos

 

 

C:\Documents and Settings\Eiras\Os meus documentos

Algumas pessoas, naturalmente já desaparecidas, no entanto e felizmente ainda, outras se podem rever nestas fotos. Vamos esperar que alguém queira enviar-nos alguma proposta de identificação das mesmas.

 

publicado por Sir do Vasco às 00:47

02
Nov 14

 

 

A pessoa que se vê na primeira foto é a prima Ermelinda. Foi cedida pela prima Fátima Henriques, à qual estou sinceramente agradecido.

bi fonte1

 A foto que segue deve ser de 1960 e nela estou eu com o primo João Bernardo. Foi tirada pelo pai dele Júlio Bernardo

casa da avó

Nesta foto que mostra a casa onde viveu o trisavô Manuel da Eira e que pertence agora ao primo José Adrião, estão os meus filhos, talvez há 28 anos.

bi manel da eira

 Agora a fonte velha, antes e depois da restauração.

fonte velha

Por último, desta série, uma de 1962, quando ainda existiam latadas nas ruas, na Sarzedas e em muitos outras aldeias. Foi em dia de festa de S. Pedro como depreende.

fogaçaa

 

 

publicado por Sir do Vasco às 23:31

Apresentamos algumas fotos antigas em comparação com os mesmos locais atualmente.

As fotos antigas foram cedidas pelo Sr. Manuel Tomaz, tendo sido tiradas pelo seu irmão Sr. Salvador Tomaz. Por tal deixamos aqui o nosso sincero agradecimento.

As duas primeiras serão mais recentes, sendo a última, com um grupo de pessoas tirada em 1946. Nesta pode ver-se um rapazinho com nove anos à época, é o Sr. Manuel Tomaz. Foi Há 68 anos.

 

 

bi fonte

fondo da rua anos 60

bi serrado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Sir do Vasco às 22:55

Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


subscrever feeds
mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

2 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

blogs SAPO