Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

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Mai 09

 

AGRICULTURA DE SUBSISTÊNCIA
 
Métodos de cultivo artesanais, técnicas rudimentares à base de ferramentas manuais: enxada, sacho, ancinho, foice, etc. Raramente se utilizava a força animal. As terras eram cavadas à enxada a pulso de homens que de Sol a Sol, dia após dia, iam enterrando os ervados onde até aí pastavam as ovelhas. Os terrenos eram assim preparados para neles se lançarem as sementes.
Havia muita mão-de-obra, as pessoas produziam o que comiam, por vezes havia gente a mais e pouca terra, o que obrigou a que alguns tivessem de sair para outras regiões, temporariamente, em busca de trabalho. Falaremos disso mais tarde.  Outros começaram a partir definitivamente e a desertificação começou. Os resistentes que ficaram, no final dos anos sessenta do século passado, começaram a alugar um pequeno tractor que vinha de Figueiró e lavrava por cobrança à hora.
Os terrenos agrícolas à volta da aldeia são muitos divididos, em certos sítios chegam a ter apenas 5 por 10 metros, ou 1,5 por 40.
Não havia selecção de sementes. Estas eram escolhidas da colheita anterior.
Não se aplicavam fertilizantes químicos, apenas os estrumes provenientes dos currais dos animais.
Não se utilizavam pesticidas, porque também não eram necessários. Não havia pragas que atacassem as culturas. Os castanheiros terão sido as primeiras árvores a serem atingidas. Ninguém pôde evitar, no final do século XIX, a epidemia vulgarmente conhecida por “da tinta” (Phytophora cambívora, Petri) e os soutos desapareceram por completo. Ficaram alguns nomes como Souto da Fonte e Soutinho. Só recentemente se tem visto o crescimento de alguns novos castanheiros
Também no final do século XIX foram atacadas as videiras, pela filoxera e oídio as quais passaram a ser sulfatadas, com calda bordalesa. Foram importadas então videiras da América, porque são mais resistentes, para se fazerem nelas enxertias das espécies europeias. Acabando também por crescerem por si próprias e que passarem a produzir as uvas americanas também conhecidas por morangueiras.
Pelo que se ouvia contar as castanhas foram durante muitos anos, em conjunto com o milho, o feijão e as couves, a base da alimentação de todos os habitantes. Diziam que as pessoas secavam as castanhas e guardavam-nas em arcas durante todo ano. Daí iam comendo.
Com o desaparecimento dos castanheiros passaram a incentivar outras culturas como a batata que até então não era tão usual. Em pequeníssima escala todos cultivavam: favas, ervilhas, cebolas, alhos, grão-de-bico, alface. Mais tarde apareceram as cenouras.
Quanto a frutas, apenas algumas macieiras e pereiras tinham direito a terrenos cultivados. As cerejeiras apesar de terem dado o nome à terra, eram “mato”, isto é, raramente estavam plantadas em terras de semeadura. Laranjeiras e outros citrinos, poucas pessoas tinham porque devido ao clima frio requeriam locais mais abrigados e até serem cobertos com tecidos velhos no Inverno. Ameixas, pêssegos ou uvas de mesa eram quase uma iguaria para quem as produzia. Apenas conhecemos uma única romãzeira e uma única figueira de figos lampos (figos temporões ou seja que amadurecem cedo, conhecidos por figos do S. João) na aldeia. Abrunheiros, kiwis e diospireiros só muitos recentemente foram introduzidos.
CALDA BORDALESA: mistura de sulfato de cobre diluído e cal viva em quantidade adequada, medida com a ajuda de um indicador, aparentemente papel, que se comprava na farmácia e que quando a mistura estava boa ao molha-se um pouco o dito “papel” ficava de cor violeta. Recentemente procurámos explicação junto duma pessoa licenciada em química, que nos disse ser a solução aquosa de sulfato de cobre uma solução ácida e que ao juntarmos cal transformamo-la em base, sendo o teste feito com papel de fenolftalaina que muda de cor em presença de uma base.
 
publicado por Sir do Vasco às 23:10

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