Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

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Abr 09

 

Há dias numa das nossas televisões, apresentaram alguém que resolveu vender uns cursos para quem quiser aprender a gerir o seu orçamento, aprender a reduzir as despesas de modo a dar combate à crise. Falou um formando desse curso, “um artista” licenciado em qualquer coisa que já não nos lembramos e entre outras afirmações, disse qualquer coisa como ter aprendido que: fazer comida em casa fica muito mais barato.
Descobriram a pólvora! Ainda bem.
Parece que outras pessoa estão a descobrir que cultivar os produtos que consomem, também melhora a qualidade da alimentação e reduz o orçamento. Ainda bem, também.
Por nós temos a consciência que ultimamente nada fizemos quanto a “reforma agrária”. Mas se for preciso pelo menos ainda sabemos como se faz.
Quando se fala de técnicas agrícolas, dizem os “especialistas na matéria” que entre outras – a distribuição adequada de culturas e a alternância das mesmas são importantes para uma melhor preparação e protecção dos terrenos assim como para uma melhor produção.
 
OS ANTIGOS HABITANTES DA SARZEDAS DO VASCO JÁ HÁ MUITO "CONHECIAM A PÓLVORA"!
Embora com os terrenos muito divididos, todos os seus donos seguiam à risca a regra da alternância em duas zonas distintas.
              - nos terrenos que se situam na zona da Quelha da Selada (Selada - Depressão na lombada de um monte; cavidade oblonga numa montanha) até à Cancela englobando os Quintais da Carvalheira.
 
- nos Quintais das Sobreiras e todos os terrenos até ao fundo da Courela.
 

 
Em ambas as zonas não havia água para regadio, sendo portanto, chamados terrenos de sequeiro e onde só podiam ser cultivadas sementeiras chamadas “de seca”.
É de nosso conhecimento, que foi assim até aos anos sessenta do século passado. Daí em diante as propriedades pouco a pouco deixaram de se cultivar por ausência dos seus donos.
A alternância fazia-se com o cultivo de MILHO AMARELO e CENTEIO. No ano em que se semeava centeio na Courela, semeava-se milho amarelo na Cancela, no ano seguinte semeava-se milho amarelo na Courela e centeio na Cancela.
Eram sementeiras feitas cedo no ano, o centeio em Janeiro, Fevereiro e o milho amarelo em Março, Abril. Contava-se com as chuvas tardias para ajudar o seu crescimento. Eram também as primeiras colheitas a serem feitas: o centeio em Junho, Julho e o milho em Julho, Agosto.
De ambos os cereais se fazia farinha. Não é do nosso conhecimento que fosse muito tradicional, na aldeia, fazer pão exclusivamente de farinha de centeio, já de farinha de milho amarelo talvez fosse mais usual. A broa de milho amarelo era mais adocicada. A farinha de centeio utilizava-se  para misturar na farinha de milho branco e fazer a chamada BROA ESPOADA.
Espoar significa peneirar segunda vez, mas isso não acontecia normalmente. A farinha era peneirada uma vez, tanto a de centeio como a de milho e misturadas em proporções adequadas, amassadas e levedadas. Enquanto a massa levedava, aquecia-se o forno, feito de xisto argiloso, com lenha que se queimava no seu interior, até que este aparentasse a cor branco. Depois  tendiam-se os pães e metiam-se lá dentro com a ajuda da pá.
As dificuldades eram muitas e havia quem cozesse o pão sem o peneirar (era um verdadeiro integral).
A farinha ao ser peneirada ficava mais fina já que com a ajuda da peneira se lhe retirava o farelo, que não era mais que as partes menos moídas normalmente compostas das cascas dos grãos.
Não há actualmente pão de farinha de milho amarelo. Vende-se por ai muito pão amarelo dito “abusivamente” broa amarela que de facto só tem a cor. Ninguém tenha ilusões! Não há. Assim como todo o outro pão designado de broa não tem nada a ver com o que era pão de farinha de milho. Milho enviado directamente ao moinho pelas pessoas que o cultivaram e de cuja farinha faziam a broa. Contudo, passe a publicidade, em Pé da Lomba, Vila Facaia fabricam um pão, que não sendo totalmente de farinha de milho, embora lhe chamem broa, tem uma qualidade muito boa.
 
 
 
 
 
publicado por Sir do Vasco às 23:48

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