Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

31
Mar 09

 

 
EDUCAÇÃO EM MEADOS DO SÉC. XX
Ouvimos contar que certo rapaz da Sarzedas do Vasco, chegou um dia a casa à hora de jantar, (almoço, dizemos nós agora) cheio de fome. A sua mãe que tinha uma panela de sopa pronta, logo providenciou para que tanto ele, como os outros elementos da família a pudessem saborear. O rapazinho comeu tudo de bom grado (a fome é muito boa cozinheira!) e terá dito à mãe:
_ Esta sopa é muito boa! Posso comer outro prato dela?
Ao que a mão respondeu:
_ Sim filho, dou-te já mais! E de imediato pegou a colher de pau (não havia concha, no dia a dia) e voltou a encher o prato do rapaz. E continuou…
_ Com que então achaste a sopa boa?! E mais ela tem cebola! Quando o rapaz ouviu dizer que a sopa tinha cebola, respondeu:
_ Se tem cebola não quero! Eu não gosto de cebola.
_ Faz favor de comer, de comer tudo e rápido! Disse a mãe.
_ Então tu comeste um prato dela e era boa e quiseste mais e agora que sabes que tem cebola, já não é boa! Come tudo já!
_ Não! Não quero! Insistiu o rapaz.
A mãe não admitiu mais diálogo, levantou-se foi buscar as joinas e aplicou-lhe a “psicologia da vassoura” no rabo. Não sabemos se foram muitas ou poucas vezes que ele levou com os troços da vassoura, mas dizia-se que o rapaz comeu tudo e nunca mais disse que não gostava de cebola.
 
A VERGONHA
O mesmo rapaz em certo dia quis experimentar brincar com a mãe quando esta o advertiu sobre qualquer asneira que tinha feito. Depois dela o ter ameaçado mais uma vez com os troços da vassoura de joinas e de ter rematado:
_ Tu não tens vergonha mas eu dou com a vassoura no rabo!
Ele respondeu:
_ Vergonha? Que é isso? Nunca a vi!
Ao que parece foi mais uma vez “educado” pelas joinas e recordou para sempre a resposta da mãe:
_ Nunca a viste? Já passaste por onde a havia… Se não a viste, foi porque não quiseste!
Não esqueceu mais tal resposta, embora só mais tarde terá compreendido o seu verdadeiro significado.
 
 
JOINAS
Hastes de mato torgueirinho, da família da urze, também designado de urze branca. Embora haja uma espécie semelhante com flor de cor roxa mas de cheiro pouco intenso. A urze rasteira dá flor roxa/rosa com cheiro característico a mel (ou será o mel que cheira a urze?).   A urze branca, dá flores brancas e com  cheiro também a mel.
  
 
 

mato torgueirinho de flor roxa

 

mato torgueirinho de flor branca

 

urze rasteira

 
 
 
   
 
 
 
As hastes compridas eram utilizadas para fazer vassouras. As raízes, chamadas torgas, depois de arrancadas serviam para fazer carvão com grande poder calorífero, normalmente utilizado para passar a ferro dado que aguentavam muito.
 
publicado por Sir do Vasco às 02:26

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