Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

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Mai 08
A ASCENSÃO
 
A festa litúrgica da Ascensão parece ter tido origem em Jerusalém.
 
O hábito de fazer da Ascensão uma festa especial, começou no séc. IV e o objectivo desta solenidade religiosa católica, era honrar o termo da missão do Redentor na terra, a sua Ascensão ao Reino do Céu, a Sua entrada no Reino da Glória.
 
É celebrada quarenta dias depois da Páscoa, sendo outrora, a liturgia deste dia,  revestida de grande significado, embora fosse diferente de região para região.
 
A Ascensão é uma festa de preceito, celebrando-se à quinta-feira, passando a ter um cunho popular, quando o povo, na sua humildade, pretendia prestar homenagem a Jesus Cristo, com os símbolos da fertilidade nos primeiros frutos, representados na espiga simbólica que, durante o ano inteiro, ficava num sinal de respeito e fé, dependurada numa parede da casa, até à sua renovação no ano seguinte.
 
No entanto, por ter tanta ligação com a Natureza, pensa-se que possa ter vindo mais de trás no tempo, talvez de antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora que aconteciam por esta altura e às quais o cristianismo se adaptou.
 
Desde de 1952 a Quinta-feira de Ascensão deixou de integrar o número de dias santos        , muito embora em muitos concelhos do nosso país seja feriado municipal, com grande incidência no Ribatejo e Alentejo.
 
Um dia santo de muito respeito, dia grande, dia do mais rigoroso descanso.
 
 
QUINTA-FEIRA DA ESPIGA
 
A Ascensão era antigamente festejada nos campos por entre merendas e bailaricos, aproveitando-se o contacto com a natureza.
 
Em várias regiões do país, de manhã cedo, rapazes e raparigas iam para o campo apanhar a espiga.
                                      
O ramalhete da espiga não tem uma composição fixa, variando muito de região para região e de terra para terra.
 
Formavam um ramo  com: espigas de trigo, ramos  de oliveira, malmequeres, papoilas e outras flores campestres. O ramo podia também incluir ramo de videira, centeio, cevada, aveia, margaridas, pampilhos, etc.
Cada elemento simboliza um desejo:
A ESPIGA - Para que haja pão, para que haja abundância em cada lar.
Ramo de oliveiraParaque haja paz e que nunca falte a luz divina.
FLORES – Para que haja alegria, o malmequer simboliza ouro e prata, a papoila amor e vida, o alecrim saúde e força. 
Outras interpretações parecem condensar com nitidez a trilogia alimentar mediterrânica: pão, azeite e vinho. De qualquer forma estava sempre presente o apelo e a esperança renovada de um bom ano de colheita.

AS LADAINHAS            
 
Na liturgia, a ladainha é uma oração à Virgem ou santos, com o responsório repetitivo: “Rogai por nós!”.
 
As Ladainhas Maiores, instituídas pelo Papa Gregório Magno (590/604) são rezadas no dia de São Marcos (21 de Abril). As Ladainhas Menores, nos três dias imediatamente anteriores à Quinta-Feira da Ascensão.
 
A sua popularidade advém certamente da crença nos poderes místicos da imprecação religiosa. Aparecem assim ligadas a procissões de penitência, por voto a algum santuário, ou a  preces públicas por ocasião de calamidades.
 
 
EM SARZEDAS DE S. PEDRO
Como noutras localidades do nosso pais, as Ladainhas eram rezadas na segunda feira antes do dia da Ascensão. Iniciava-se próximo da fonte (única à época, visto que não havia água ao domicilio) uma procissão, onde à frente seguiam três homens de opas vermelhas vestidas, sendo um deles portador de um crucifixo, ao centro, e os outros dois de duas lanternas de vela, seguia-se o Senhor Reitor e as pessoas que manifestavam a sua fé e iam respondendo “Rogai por nós” a cada invocação de santo ou santa, que o padre fazia. A procissão dirigia-se para a capela, onde de seguida era rezada a Santa Missa.
 
Rezavam-se ladainhas na Sarzedas de S. Pedro à Segunda-feira, em Pêra à Terça-feira e na vila de Castanheira à Quarta-feira.
 
Na vizinha freguesia de Vila Facaia, rezavam-se à Segunda-feira na Senhora da Piedade, à Terça-feira na Salaborda Nova e à Quarta-feira na sede da freguesia.
 
Na Sarzedas esta tradição e manifestação de fé deixou de se realizar a partir da altura em que o Senhor Padre Aurélio de Campos deixou de paroquiar na freguesia.
publicado por Sir do Vasco às 01:38

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