Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

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Mai 08
TIRAR O “MAIO”
 
Dizia-se que no dia primeiro de Maio,  quem não se levantasse antes do nascer do Sol, ficava com o Maio e que as carraças se lhe pegavam ao corpo durante todo o ano.
 
Também o gado, em especial as ovelhas e as cabras, era normal apanharem esses Acarídeos.
 
 Para prevenir tal coisa, no dia trinta de Abril de cada ano todas as pessoas se preocupavam em arranjar uns ramos de giesta, em flor se possível.
 
Ora, giesta em flor ou não, é uma planta espontânea em certas zonas de Portugal, muito embora nos limites de Sarzedas do Vasco não a conhecêssemos.
 
Apenas em Além da Ribeira, existiam alguns pés do referido arbusto.
 
Uns ramos de giesta e um pouco de azevinho, que só existia no Vale Chiqueiro, no sitio da Moura Encantada. Estas duas plantas eram colocadas por cima da porta do curral dos animais, para que no dia um de Maio todo o gado ficasse liberto das carraças ao sair do curral para o pasto.
 
 
 
    
 
 
 
HISTÓRIA DA "MOIRA ENCANTADA"
DO VALE CHIQUEIRO
 
A minha avó Conceição contava, que no Vale Chiqueiro, onde é o moinho do Sr. José Coelho Henriques (Ti Zé Marinha), havia uma Moura Encantada. O Vale Chiqueiro a que com rapidez as pessoas chamavam “Vachequeiro”, é o vale que inicia entre a casa do Sr. Manuel Rodrigues (Chitas) e do sobrinho dele, o Sr. Carlos e termina no ribeiro que segue da Ponte Melada até à ribeira de Pêra. Na parte final deste vale existem nascentes de água, assim como a seguir ao moinho em toda a barreira rochosa, na margem direita do ribeiro, que não sendo propriamente uma fonte, deitam água fresca de excepcional qualidade. Fui lá algumas vezes encher o barril de barro que o meu avô levava quando ia trabalhar para o Porto Enguia, numa propriedade que pertence agora à tia Maria Augusta que foi a segunda mulher do Tio Anacleto, irmão da minha avó e que viveu nas Mercês, Sintra.
Mas voltando à moira, dizia a minha avó que ela raptava os meninos para lhe lamber os olhos “deixa-me lember os tê santos olhos quê do-te passas”. Outras versões dizem que a moira aparecia a estender roupa ao Sol, naquele local, na margem esquerda do ribeiro, que vem da Ponte Melada, e que desaparecia quando as pessoas se aproximavam dela.
Estou em crer que a minha avó queria apenas, era que eu não fosse lá para aquele cafundó, sozinho, quando eu era pequeno, dado que a altura até ao leito do ribeiro é muita e para qualquer criança uma queda daquelas seria fatal.
Por cima da barreira onde nascia a água havia uma planta, única nesta região, a que chamavam “visco” e que muitas pessoas iam lá colher um ramo, no último dia de Abril, para que no dia um de Maio pudessem colocá-lo sobre a porta do curral das ovelhas, em conjunto com ramos de giesta. Este ritual diziam que era para “tirar o Maio” e pretendia  “afastar as carraças”, isto é, que o gado não apanhasse carraças.   Nos limites de Sarzedas do Vasco não conheci outro sitio onde houvesse esta planta que de facto é um azevinho, também conhecido por pica-folha, visqueira e visqueiro.
publicado por Sir do Vasco às 00:36

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