Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

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Mar 08

              Qual o significado da Quaresma

A Quaresma é o período de tempo, que vai desde Quarta-feira de Cinzas até Domingo de Páscoa.
A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima, espaço de quarenta dias.
Como outros, o número 40 é carregado de simbolismo. Entre outros significados, pode ser um período de preparação por causa de um grande acontecimento. Ou de descanso depois de uma grande actividade,   dizendo-se “está de quarentena”.
 O dilúvio durou 40 dias e 40 noites; 40 anos foi o tempo que passou o Povo de Israel no deserto, preparando-se para entrar na Terra Prometida. Os habitantes de Nínive fizeram 40 dias de penitência antes de receber o perdão de Deus; 40 dias esteve Moisés e Elias na montanha; Jesus passou 40 dias  no deserto.
A instituição litúrgica da Quaresma (Quadragésima - 40 dias), foi organizada em Roma na segunda metade do século IV (383). É o grande período em que toda a Igreja se recolhe, e se purifica para preparar a Páscoa.
A nossa Quaresma é, por isso:
- 40 dias de luta: com Cristo lutador, resistamos às tentações e ao pecado;
- 40 dias de penitência: como os Hebreus no deserto, aceitemos sacrifícios para purificar nossas almas. Aliviar a fome dos mais pobres será o fruto tangível da nossa penitência e do nosso “jejum”;
- 40 dias de formação cristã e de oração: a Palavra de Deus que escutaremos com mais frequência e interesse nos porá em maior contacto com Deus.
Tudo começa em Quarta-feira de Cinzas. Dia em que nas missas se faz a “Imposição das cinzas” pelo sacerdote: “Lembra-te que és pó da terra”. É o sinal do nosso arrependimento e do nosso caminho de conversão: “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”.
É importante que a igreja e o estilo da celebração ajudem a criar o “clima” e o ambiente próprio da Quaresma: cânticos adequados, silêncio, omissão da Gloria e do Aleluia que só serão entoados na Vigília Pascal; Actualmente em algumas paróquias pode ver-se em destaque uma cruz e alguns cartazes com frases alusivas a este tempo.
 
O Jejum e a abstinência
O jejum é a privação total ou parcial de ingestão de alimentos. Há quem coma pouco e apenas em três vezes ao dia, há quem como apenas pão e água (Gandhi fez vários jejuns em que ingeriu apenas água com sumo de limão).
A abstinência consiste em não comer carne, na Quaresma e em todas as sextas-feiras.
A igreja propõe o jejum e a abstinência principalmente como forma de sacrifício, mas também como uma maneira de se educar, de ir percebendo que, o ser humano o que mais necessita é de Deus. O jejum, assim como todas as penitências, é visto pela igreja como uma forma de educação no sentido de se privar de algo e reverte-lo em serviços de amor e em práticas de caridade.
Oficialmente, o jejum deve ser feito pelos cristãos baptizados,entre 18 e 60 anos, na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.
Antigamente, a Igreja vendia as “bulas” e “indultos”. Mediante o pagamento de certa importância por pessoa, ficavam estas desobrigadas, isto é, poderiam comer carne na Quaresma e em todas as sextas-feiras do ano excepto nas da Quaresma. Quem não pudesse pagar esta “penitência” só tinha que cumprir, da outra forma, os preceitos de  bom cristão: Não comer carne na Quaresma e em todas as sextas-feiras do ano.
Os hábitos alimentares das pessoas evoluíram muito, pelo que hoje em dia, pode haver refeições que não sendo de carne, sejam ainda muito mais apetecíveis.
Actualmente permite-se que os sacrifícios, possam ser escolhidos livremente, por exemplo:   deixar de mascar chicletes, deixar de tomar a bica, deixar de fumar (este além de sacrifício para quem o fizer, só tem benefícios em relação à sua própria saúde) total ou parcialmente. O valor que não for gasto num destes consumos deve ser usado para o bem de alguém necessitado ou entregue à Igreja como renúncia quaresmal.
 
A Quaresma na Sarzedas
Cabe-nos recordar a Quaresma na Sarzedas. Na capela do S. Pedro, a ausência de flores e os santos tapados com panos roxos.
Era um tempo “feio” e difícil de compreender. No entanto, há recordações que ficaram e que marcaram. Lembramos os primeiros anos (anos sessenta do séc. XX) em que o Sr. Padre (à época, hoje Cónego) Aurélio de Campos chegou à paróquia de Castanheira de Pêra, e introduziu uma vivência religiosa inovadora durante a Quaresma, nas várias capelanias da freguesia. Fazia e convidava outros sacerdotes, para o ajudar a fazer alguns dias de pregação e oração em cada capela. Conseguiu motivar os paroquianos a viverem a Quaresma dum modo diferente. Na Sarzedas, na Moita, no Troviscal, na Gestosa, Na Senhora da Guia e em Pêra, uma semana em cada capela e todos estavam presentes, depois de um dia de trabalho.
 
Porquê a cor roxa?
A cor litúrgica deste tempo é o roxo que simboliza a penitência e a contrição. Usa-se no tempo da Quaresma e do Advento. Na nossa cultura, o roxo lembra tristeza e dor.
Nesta época do ano, são comuns flores roxas, violetas e róseas (das quaresmeiras ou "Flor-de-quaresma", planta herbácea, glanduloso-viscosa, pertencente à família das Saxifragáceas). Os lírios com que tanto gostávamos de enfeitar o “Ramo”, que levávamos à missa no Domingo de Ramos.
O DOMINGO DE RAMOS
As celebrações da semana santa têm início no Domingo de Ramos, ele significa a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Os ramos simbolizam a vida do Senhor, ou seja, Domingo de Ramos é entrar na Semana Santa para relembrar aquele momento.
Na capela da Sarzedas sempre houve uma pequena bênção dos ramos, embora sem procissão exterior.
Antigamente todas as pessoas levavam grandes ramos de louro e alecrim.
As senhoras e meninas organizavam as hastes mais ou menos de forma tradicional, unindo-as pelos caules e atando-as.
Aos homens bastava um rebento novo de oliveira.
Os rapazes, até aos seus quinze ou dezasseis anos eram uns verdadeiros artistas… Ou com enormes ramos de loureiro, que chegavam quase ao teto da capela e com frequência batiam nos candeeiros ou com figuras geométricas: triângulos, quadrados e círculos, feitos numa base de madeira e cobertos com as folhas do louro, do alecrim e da oliveira.
Dum modo geral, todos gostávamos de enfeitar os ramos com algo mais colorido. Uma camélia ou um lírio eram flores de excelência num ramo, mas a branca noiva ou mesmo uma acácia, também serviam. Arranjar louro florido era outra das perspicácias que procurávamos demonstrar. O cheiro à flor do louro era  intenso e agradável. Ainda hoje sentimos esse cheiro com alguma nostalgia.
E claro está, o rapaz que conseguisse apresentar o ramo mais alto, apesar de todos os inconvenientes que isso trazia, era o mais admirado, pelo menos pelos outros.
Depois de benzidos os ramos, eram levados para casa, mas não podiam entrar mais para debaixo de telha, dizia-se que perdiam a validade.
 Eram então desmanchados e os pequenos ramos atados em cruz. Estas cruzes eram levadas para as hortas, aí colocadas na ponta de uma vara espetada no solo ou atadas a uma árvore.
Mais uma vez se pedia a intervenção divina, através daqueles ramos abençoados, para as boas culturas e boas colheitas.
 
 
 
 
 
 
 
publicado por Sir do Vasco às 01:06

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