Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

10
Jan 17

Na minha aldeia também havia um ferreiro.

O Ti Jaime Silva, ferreiro e mais tarde serralheiro

 

Procurei na NET e encontrei várias imagens com muita  semelhança da oficina que conheci.

Nenhuma desta imagens é do Ti Jaime nem da oficina que ele teve na Sarzedas do Vasco

localizada exatamente no sitio onde está  a casa da minha prima e comadre Natália Almeida.

 

oficina

Digamos que o aspeto geral era este, embora mais espaçosa.

Vamos imaginar   a dorna e a bigorna mais para direita em frente à forja, deixando toda a parte central livre.

A forja não tinha chaminé.

fole

A forja dele era semelhante a esta de museu, mas toda negra, cheia de tralha e foligem de carvão.

A alavanca superior servia para dar ao fole, que acendia e atiçava o lume.

Onde se colocava o ferro a aquecer.

forja1

O qual depois de estar em brasa era malhado com martelo, em cima da bigorna, para adquirir a forma desejada.

bigorna

 

bate o malhobate malho

 

Também tinha um engenho de furar manual igual ao da imagem. Ele fazia as suas próprias brocas.

eng, de furar

Trabalhava com forja e mais tarde passou a soldar com elétrodos o que foi mais uma novidade para mim.

Na oficina dele vi a primeira rebarbadora.

Muitas vezes pedia-lhe se me deixava fazer os meus "biscates" em troca tinha de lhe ir buscar um barril de água à fonte.

Aprendi muito com ele apenas a ver fazer e só mais tarde tive oportunidade de por em prática, relembrando aquilo que vi.

Temperar o ferro tinha muito que saber eu via quando ele esfregava um corno de carneiro no ferro quente, via-o mergulhar o ferro em água depois de ter adquirido a forma desejada, ora lentamente  ora  rápido. Só mais tarde entendi o porquê quando tive de aprender,  algo sobre isso. Não sei fazer mas tenho pena. Mas aprendi a soldar com elétrodos (arco voltáico)

Não era qualquer ferreiro que fazia um portão todo rebitado e muito menos fazer bem feito uma soldadura por caldeamento. Ele fazia. Depois de haver aparelhos de soldar dexou de ser necessário fazer caldeamento.

publicado por Sir do Vasco às 20:31

UMAS CURIOSIDADES SOBRE A SARZEDAS E SEUS DESCENDENTES.

MAIS UMA VEZ ENVIADAS PELO SR. MANUEL TOMAZ, AS QUAIS DESDE JÁ AGRADECEMOS.

PARECE-NOS QUE TUDO O QUE SE POSSA CONTAR SOBRE A NOSSA ALDEIA E SUAS GENTES, É INTERESSANTE.

O SR MANUEL É IRMÃO DO SR SALVADOR, RESIDENTE NO BRASIL, E DA SRA. D. AURORA, ESPOSA DO SR. MANUEL RODRIGUES, CONHECIDO POR MANUEL DAS CHITAS. DEIXAMOS ESTA EXPLICAÇÃO PARA QUE QUEM EVENTUALMENTE NÃO CONHEÇA, POSSA MAIS FACILMENTE ENTRA EM CONTEXTO COM O QUE SE PUBLICA.

 

C:\Documents and Settings\Eiras\Os meus documentos

 

Boa tarde Armando,

Junto a foto onde está a minha Mãe quando fez o exame da 3ª classe, em
1917. É a primeira à esquerda, em baixo, a seguir, ao centro, é a
professora. Quanto aos restantes, não sei quem são os seus descendentes.
Só haverá uma pessoa que talvez saiba, é a minha tia e sua prima Aurora,
mãe do Fernando. Ela está num lar em Vila Chã, Pombal, quando eu a
visitar vou procurar detalhes dos descendentes deles.

Quanto ao meu tio Capitão Augusto Henriques (1880-1967), poucas vezes foi
à Sarzedas, a última teria sido por volta de 1950.
Casou com uma senhora da classe média lisboeta em 1925 e não tiveram
descendentes. Ela faleceu nos finais da década de 40. Penso que o
casamento teria acontecido já no período em que o meu tio estava livre do
Ministério da Guerra. Tinha uma vida muito própria que consistia nuns
encontros diários com os seus amigos no Café Chave de Ouro, no Rossio,
bem perto da sua residência e uma quinzena por ano nas termas das Caldas da Rainha.
Veio a falecer em sua casa no dia 25 de Abril de 1967 e está sepultado no 
no Talhão dos Combatentes no Cemitério do Alto de São João. Uma curiosidade: ele era 
maçom, mas ninguém na família tinham conhecimento, nem sabiam o que isso era...
Só há meia dúzia de anos eu vim a saber por outra via.

O padre Carlos Augusto, meu primo, é filho do meu tio Carlos, irmão da minha Mãe. Nasceu
em 1942 em Lisboa e já está aposentado. Vive em Lisboa na avenida 5 de Outubro, numa 
residência do Patriarcado. Tem problemas de saúde de alguma gravidade.

E é tudo, amigo Armando. Um abraço,

Manuel Tomaz. 
  

 

publicado por Sir do Vasco às 19:35

06
Jan 17

PORQUE HOJE É DIA DE REIS, LEMBREI-ME...

 

 

dia-dos-reis

 

 

O tempo de escolarização hoje conhecido por 1º ciclo de Ensino Básico, era anteriormente designado por Escola Primária.

Nas décadas de 40 e 50 do século passado era apenas obrigatório frequentar a escola até às três primeiras classes, passando em 1956 a ser obrigatória, somente para as crianças do sexo masculino, até às quatro primeiras classes. Em 1960, passou a ser obrigatório frequentar a escola até à quarta classe, independentemente do sexo da criança, sendo depois alargada esta obrigatoriedade até às seis classes.

Da minha frequência desse ensino, retenho que era obrigatório fazer exame da 4ª classe. Sei que anteriormente também se fazia exame na 3ª classe. Não é do meu conhecimento quando terminou esta obrigatoriedade, mas deve ter rondado o ano de 1958 ou 1959.

No dia 1 de Outubro faziam-se as matriculas e no dia 7  começavam as aulas. Era normal a criança iniciar a escolarização no ano em que completava 7 anos, no entanto em algumas escolas e de acordo com a vontade ou disponibilidade do professor ou professora, havia quem iniciasse com 6 anos.

Assim sendo no dia 1 de Outubro de 1959 lá fui eu com a minha mãe até à Escola Cipriano Lopes de Almeida em Sarzedas de S. Pedro.

Não, não foi possível o rapazinho, matricular-se. A professora Maria Adelaide Garcia Madeira não o aceitou. Tinha muitos alunos e ele  só tinha 6 anos, ainda que seis e meio, dado que faço anos em Março.

Outubro, 1 de 1960, de novo na mesma escola, a mesma professora, agora sim, e comigo todos os da minha idade e também alguns com menos um ano. A turma com 4 classes tinha 42 alunos. De facto era obra!

No ano anterior apesar de não frequentar a escola frequentei a catequese.

O Padre Arménio Marques era o Pároco, (Embora me lembre do Padre Nascimento celebrar missa na capela  suponho que teria já falecido  nesta data) tenho a vaga ideia de uma ou outra vez o ter visto na Sarzedas de S. Pedro. Tinha um carro antigo, não sei precisar a marca, tipo “arrastadeira”, que os rapazes mais velhos às vezes empurravam quando não pegava doutra maneira. Não sei se, os mais novos, saberão que carro era um arrastadeira, a Citroen teve, não sei se a designação era exclusiva desta marca ou não. Vejam na NET.

A missa na capela era celebrada todos os domingos pelo Padre Américo, de Vila Facaia, que vinha a pé, celebrava na Sarzedas e ia celebrar à Moita.

Existia uma senha de presença na catequese. No final do ano quem tivesse as presenças necessária iria ao passeio final. Junho ou Julho de 1960 passeio à Figueira da Foz.

Neste dia várias memórias:

- Atravessei a serra da Lousã pela 1ª vez. Entre outras animações: "Viva a curva da ferradura!" gritava o Pedro ao microfone da camioneta. Curva da ferradura!?

- Fui à Figueira e vi o mar pela 1ª vez.

- Ouvi a cantiga “Loja do Mestre André” a 1ª vez.

E eu “tinha” uma campainha (se fosse hoje dir-se-ia virtual). O padre Arménio ia cantando e “distribuindo” os instrumentos pelos alunos.

Almoçámos na Serra da Boa Viagem. Alguém trabalhou para levar arroz e pastéis de bacalhau ou croquetes para toda a rapaziada da paróquia. Só me lembro do Pedro sacristão, o incansável Pedro. Fomos pela serra voltámos pelo Pontão. Já lusco fusco, mais de noite que de dia, parámos junto à fonte da ladeira de Alge, mandaram-nos sentar por ali e distribuiram filhós a todos. Imaginem o que era trabalhar para os meninos da catequese!

Entretanto o padre tem um carro novo que não é preciso empurrar. Grande “festa” de observação do dito quando veio à Sarzedas. Um VW carocha novo,  diziam que a matricula, HI-?-?, queria dizer Homem da Igreja.

Verão de 1960 o Padre Arménio é deslocado desta paróquia sendo colocado por cá o Padre Aurélio de Campos. Este teve um acidente com o carro que era pertença da Fabrica da Igreja, o qual foi inutilizado, ou seja foi para a sucata e substituido por outro VW também carocha, de matricula LE-31-26 que queria lembrar o Leitor do Evangelhos

Na flor dos seus 29 anos, fez o início duma nova época.

Muitos recordarão concerteza esse tempo.

Com os meus 7 anos eu não sabia que ele tinha 29, e só o soube há poucos anos atrás no 1º almoço convívio dos antigos alunos do ESD, para mim era tão novo ou tão velho como o outro. Apenas recordo ouvir dizer “ Não é tão bom pregador como o padre Arménio mas é muito bom padre”.

Iniciou-se uma época muito movimentada e inovadora na paróquia.

Pelo menos uma vez por mês, o Padre Aurélio, vinha celebrar missa à Sarzedas. Que pouco tempo mais tarde passou a ser domingo sim domingo não, alternando com o Padre Américo entre Sarzedas e Moita.

A missa, ao domingo,  deixou de ser às oito da manhâ e passou a ser às dez.

Porque hoje é Dia de Reis lembrei-me, não sendo feriado ou dia santo oficial, havia sempre missa na capela e a pessoas guardavam-no como tal.

Presidia aos funerais quando necessário indo a casa dos defuntos fazer o oração de levantamento do corpo. Atualmente quando há funeral, com padre,  este  espera na capela. Entre a capela e o cemitério o cortejo funebre parava duas vezes, o padre fazia uma oração. A paragem também era necessária dado que a urna era transportada a pulso, assim aproveitava-se e trocavam os transportadores.

Depois de alguém falecer, havia sempre a missa de sétimo dia ou seja ao 7º dia a contar do dia da morte da dita pessoa, celebrava-se missa por sua alma.  Incansável o Padre Aurélio, durante a semana, dizia normalmente missa  na Igreja Matriz e numa capela.

Não falhava uma Extrema- unção.

Casamentos, batizados... naturalmente.

Fundou, conjuntamente com a Dra. Maria Cândida Dinis Barreto de  Carvalho, o Externato S. Domingos. Alguém lhe terá "pedido" quando chegou à Castanheira "Ensino, Sr Padre, Ensino é que nós precisamos  na Castanheira" .

"Fui ao Ministério da Educação e trouxe autorização, com alvará para lecionar  em Castanheira de Pera até ao 5º ano." Disse.

Trabalho e inovação.

Quem não se lembra das semanas de pregação, durante a quaresma. Uma semana em cada capelania. À noite, um dia rezava-se o terço, outro rezava-se a via sacra, outro faziam-se confissões. Vinham sempre um ou dois "pregadores" de fora. E depois de um  dia de trabalho as pessoas iam à pregação. Trabalho para as pessoas , trabalho para o Padre. No dia seguinte as missas da manhã, as aulas do colégio e mais o que aparecesse...

Foi um padre presente.

Por volta de 1978, deixou a paróquia.

Conheci o Padre Matos, seu substituto, em 1979 em Pedrógão Grande, tendo ajudado na organização/formação de um Grupo Sócio-caritativo do qual eu fui colaborador.

Consta que gostava de ser tratado por Dr. Padre Matos parece que afirmava: "Sou padre em part-time e o meu lugar não é aqui...". "...missas coletivas... não se pode andar sempre a celebrar missa individuais".

Conta-se  que uma certa vez o Dr. Eduardo Correia marcou uma missa por alma de seu pai, a celebrar na Igreja Matriz. Estava marcada para as 9 horas pelo que, o padre  usou da pontualidade e celebrou a missa. O Dr. Eduardo terá chegado atrasado indo pedir justificações ao padre Matos pelo facto de não ter esperado por ele. Travaram-se de razões tendo o Dr Eduardo ameaçado de ir fazer queixa ao bispo.  "Vá, vá... vá dizer ao bispo que me tire desta m**** desta terra para fora, porque o meu lugar não é aqui." Respondeu-lhe.

Padre Daniel Antunes, enquanto pároco da Igreja Nova, Ferreira do Zêzere, foi professor de Religião e Moral na Escola Preparatória onde eu integrei o Conselho Diretivo. Amigo, colaborador, profissional empenhado, pessoa aberta e de bom relacionamento. Enquanto pároco de Castanheira... não sei nem ouvi contar.

Padre Joaquim...

Padre  (?)

... ausente...

 

dia-de-reis-1-728

 

 

 

 

 

publicado por Sir do Vasco às 23:57

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