Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

02
Fev 16

Cheguei agora a casa.

Estive em um velório.

Em alguns as pessoa falam baixinho. em outros falam e estando muitas pessoas até na rua se conversa noutros não se fala. Quem lá está às vezes tosse, por vezes sem vontade de tossir, dizem "ai, ai!" mais ou menos profundo.

Hoje estavam poucas pessoas , não havia conversas, estive a pensar  e como é rápido pensar:

Dia 2 de Fevereiro, dia da Senhora das Candeias. quase não se sabe o que é uma candeia, como é uma candeia. Como eram os velórios há mais de quarenta ou  cinquenta anos atrás na Sarzedas? Só os mais velhos se lembram.

Se recuarmos cinquenta anos no tempo, na Sarzedas do Vasco habitavam  trinta ou mais famílias que somavam para cima de 100 pessoas. Os velórios  eram em casa. Os defuntos eram colocado no  sobrado, (entenda-se sobrado como sala, é parte que sobrou depois de feitas as divisões da casa, há regiões onde se chama sobrado à própria casa) por vezes em cima duma arca ou de uma mesa, enquanto não chegava o caixão.

O caixão vinha da Castanheira.

Bastante mais tarde o Sr. Manuel Alves Rodrigues, conhecido por Manel das Chitas, começou a vender caixões e com o andar dos tempos fundou a Agencia Funerária Chitas.

As mulheres, donas de casa, logo que sabiam do óbito, cada uma levava a sua candeia de azeite a casa do defunto onde ficava a alumiar durante toda noite. Trinta candeias!

À noite todas as pessoas passavam a dar os sentimentos à famíla enlutada.

Os homens estavam por ali um bocado, até às tantas e iam dormir para suas casas.

As mulheres ficavam a noite toda, se fosse Inverno levavam uma manta para se embrulharem nela, só regressavam a suas casas  na manhã seguinte.

No dia do enterro o  Padre ia a  casa "levantar" o corpo.

O cortejo funebre seguia a pé, até à capela da Sarzedas de S. Pedro.

À frente, tres homens com opas vermelhas. O do meio levava a cruz, os laterais cada um sua lanterna. O Ti João sacristão junto ao padre com a caldeirinha da água benta na mão.

O caixão era transportado em mãos. Quatro homens pegavam nele. Era preciso força e aguentar algum tempo, até que outros homens substituissem os primeiros. Parava-se um momento. Havia várias paragens. Uma era na Ponte Melada. Enquanto se preparavam as trocas dos "carregadores do caixão" o Padre rezava uma oração mais um Pai Nosso e aspergia o caixão com água benta. E lá seguiam todos a pé.

Depois da capela até ao cemitério, ainda se parava mais duas vezes.

Como seria fazer este percurso sem estrada boa ou aceitável, como é hoje? Já não é do meu conhecimento, tenho uma vaga ideia  da construção da atual estrada.

Alguém pode imaginar como seriam os funerais antes de haver cemitério na Sarzedas? A pé até à Castanheira!

Não havia carro funerário! Nos anos sessenta o primo Adelino, O Ti Adrião da Balsa e o Ti Zé Henriques do jogo, fizeram um peditório con intenção de comprar uma carreta para transportar os caixões. quando chegaram a casa do Sr. Albano Morgado ele comprometeu-se a comprar sozinho a dita carreta e assim fez, uma carreta de quatro rodas para transportar as urnas. Mas era preciso empurrá-la à mão. Já era melhor! Com o dinheiro do peditório foi arranjada a estrada à entrada do cemitério,  a primeira ligação à estrada de alcatrão, porque até aí andava-se à volta da horta por uma estrada cheia de covas e buracos.

 

 

 

publicado por Sir do Vasco às 23:04

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