Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

09
Nov 11

A NOSSA ESCOLA

 

Como instituição, não chegou sequer ao mandato da Milu,(Senhora que esteve Ministra da Educação no penúltimo (des)governo PS, que conseguiu instituir "novas oportunidades" tanto para alunos como para professores... aqueles que "souberam" aproveitá-las e agora apesar da sua politica negativa e prejudicial ao Ensino Português tem o seu "job for the girl" nomeada por Sócrates, na Findação Luso Americana para o Desenvolvimento) tendo sido descativada já há vários anos, como tantas outras neste nosso Portugal.  O edifício, conhecido por Escola Nova, iniciou a sua atividade em 1929, tendo sido financiada a sua construção pelo ilustre Senhor Cipriano Lopes de Almeida, emigrante no Brasil e sendo dirigida a obra pelo seu irmão Manuel Lopes de Almeida. 

 

 

 

CIPRIANO LOPES DE ALMEIDA • Emigrou de Balsa – Castanheira de Pera, para o Rio de Janeiro – Brasil, onde exerceu actividades nos ramos de hotelaria e bares e ainda em Sapataria e extracção e comercialização de águas minerais. Dotado de grande capacidade e vontade de subir na vida, conseguiu uma boa posição financeira. Nunca se esqueceu da sua terra, devendo-se-lhe a construção da Escola das Sarzedas de S. Pedro, de obras na Capela na sua traça antiga, bem como o cemitério.

http://searascarlos.blogspot.com/2008/10/cipriano-lopes-de-almeida.html

Nos anos sessenta do séc. XX, os mais antigos, ainda faziam a diferenciação entre escola nova e escola velha. O edifício dito da escola velha, já nessa altura era pertença da família Morgado tendo nela vivido  a Sra. D. Élia e seu marido Sr. Isaltino.

 

Quando frequentámos o primeiro ano, primeira classe, na escola nova, no já longínquo ano de 1960, com sete anos de idade concluídos, integrámos uma  turma de quatro classes, num total de 42 alunos. Todos com menos de 14 anos. Nada mau!

Um aluno não foi autorizado a frequentá-la devido a ter ultrapassado a idade, visto que as aulas eram ministradas por uma professora. Leis! Teve de ir para Vila Facaia, porque lá lecionava um professor, o professor Afonso Lopes da Costa. Como nós íamos a pé para a Sarzedas do Vasco (não sabemos como conseguimos sobreviver a esta “injustiça” de ter de percorrer dois quilómetros todos os dia a pé, quer chovesse ou fizesse calor!) encontrávamo-lo muitas vezes no caminho. Outra “injustiça” era o facto de  não haver cantina, nós levávamos almoço, merenda, lanche, como lhe quisessem chamar, em lancheira ou simplesmente pão com conduto. “Traduzindo” isto para “linguagem” atual, alguns alunos levavam “packed lunch” e outros, os que viviam mais perto, iam almoçar a casa. Uns comiam melhor outros pior, havia quem almoçasse uma fatia de pão de milho com uma sardinha assada…

O edifício escolar não tinha água… essa era difícil! Podem imaginar! No saco do almoço ia normalmente um frasco de vidro (que “irresponsáveis” que eram os nossos pais enviarem-nos um frasco de vidro, junto com a comida!?) com algo que se bebesse: água, água com açúcar, chá…  e havia quem levasse vinho, ironia à parte e visto agora a esta distancia no tempo, concordamos que vinho não era ideal, mas era assim à época. A quantidade de liquido não era muita e quando o calor começava, tornava-se insuficiente, pelo que lá íamos todos em grande algazarra à fonte da Balsa, única fonte da Balsa ou da Sarzedas, única fonte da Sarzedas, beber mais uns goles. Quando chovia, algumas vezes bebíamos água da chuva. Havia lá um jarro onde a professora tinha água para as emergências.

O edifício não tinha instalações sanitárias condignas, existiam duas latrinas, uma para os elementos de cada sexo, que através dum cano expeliam diretamente para o exterior do recinto, para o pinhal, os dejetos, que ali ficavam a céu aberto.  Não havia papel higiénico, as folhas dos rascunhos, (não dos cadernos) das sebentas ou velhos jornais “pagavam as favas”. Não se lavavam as mãos, nem antes nem depois do “serviço”, nem antes nem depois de almoçar.

Os alunos que frequentavam a catequese recebiam através da Cáritas, de vez em quando, uma dádiva de: leite em pó, farinha de trigo e de milho, queijo (menos vezes). Já nessa época havia quem “pensasse muito” e como o objetivo era dar às crianças houve quem achasse por bem fazer distribuição com consumo imediato para que os pais não comessem (e se comessem????). Recordamos três tipos de entrega diferentes, sendo a mais comum, “toma lá e leva para casa”. No entanto a certa altura passaram a fazer a mistura do leite com a água e distribuíam diretamente às crianças que tinham de levar um copo de casa para o beber, neste caso a farinha e o queijo não eram distribuídos. Noutra época a farinha era entregue ao padeiro que confecionava os papos-secos, que levavam todos os dias de manhã à escola, distribuindo a professora, um para cada aluno. Este papo-seco era mesmo seco, dado que o queijo e o leite não o acompanhavam, mas creiam que tinha melhor sabor  que hoje em dia um pastel de nata ou um brigadeiro.

Não havia contínua, ou seja empregada na escola, mais tarde dita auxiliar de ação educativa e agora pomposamente assistente operacional, a professora e alunos tinham que se “virar”. Varríamos a sala e varríamos o espaço exterior. Para a sala a professora comprava uma vassoura de cabo, na loja da menina Alice, para o espaço exterior fazíamos vassouras de joinas que íamos cortar ao mato.

 

Independentemente das disposições legais relativas a este edifício e numa humilde e modesta opinião gostaríamos de ver uma melhor utilização do mesmo e que a sua degradação não se verificasse a cada momento. Ele foi oferecido ao povo da Sarzedas para que os seus filhos tivessem excelentes condições, na arte de aprender.

Por nós deverá continuar pertença do povo.

Não sabemos se voltará a ser Escola Primária ou do 1º ciclo, ou Básica ou que lhe queiram chamar, opinamos todavia, que deve ser utilizado em qualquer atividade cultural que o dignifique enquanto edifício de cultura, saber e aprendizagem que foi e que sabe-se lá… poderá voltar a ser.

Deve ser entregue ao Povo!

Mas quem é o povo? Há com certeza, quem saiba explicar melhor, quem pode representar o Povo da Sarzedas. Por nós acharíamos de bom grado que fosse entregue à Sociedade Recreativa União Sarzedense, que embora sendo uma entidade privada, tem muitas vezes, colocado  o seu património ao serviço do Povo.

Uma entrega para uso cultural sem a possibilidade de qualquer tipo de alienação.

Poderá ser sempre centro de cultura ou berço de aprendizes, ainda que seja “A VELHA ESCOLA”.

publicado por Sir do Vasco às 16:58

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