Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

30
Ago 11

Já há umas semanas que a Fátima me enviou esta estória que passo a publicar, a qual me fez recordar e esvrevi a continuação que faço de seguida, relativamente ao mesmo burro.

 

O Burro da Prima Arminda

Teimosia ou Convicção

Tem história entre os da sua espécie.

Poderia ser um burro como outro qualquer, porem diferenciava-se da sua espécie pela sua “personalidade”.

Manhã cedo, a sua dona  engatava-o à carroça: esperava-o o prado, prado que já estava semeado, nesta altura, ia para a Cruz, esperava-o o engenho (Aparelho macânico de tirar água do poço).

Toda a manhã aí ia tirando a água com que a sua dona ia regando, outras vezes, no Porto Carro manhã alta, com sua dona, cansados e fartos de já tanto terem suado, mas de tarde e às vezes à noitinha era o mesmo fado.

De regresso a casa, no início da subida ao chegar à fonte do fundo do lugar (de Sarzedas do Vasco) o “burro” estancava. não adiantava falar, pedir ou suplicar, o “burro” não arrancava, só depois da sua dona ou alguém por ali, lhe ter dado uma “bolacha,”não era uma bolacha, era uma folha de couve, ou uma espiga de milho ou outro qualquer agrado. Aí sim depois de ter mastigado, subia até ao meio do lugar, onde por perto tinha o seu curral onde passaria a noite até ao dia seguinte e de novo voltar ao seu papel de “escravo”. Curiosamente observei várias vezes este “burro” em criança

E ainda hoje o recordo na sua dignidade.

Lisboa-13- de Julho-2011.

MARIA FÁTIMA S. H.

 

 

Sempre ouvi dizer "És teimoso como um burro" quando alguém se propõe a manter a sua opinião ou proposta ainda que todos vejam que não é ideal ou melhor, portanto apenas por uma questão de teimosia ou eventualmente medo de trocar de opinião.

Com um pouco de experiencia que tive, em lidar com burros, parce-me que estes simplesmente aprendem, com alguma facilidade o que lhes ensinam repetidamente.

O burro da Tia Arminda, um pouco antes de chegar à fonte fazia outra "avaria" sempre que a carroça custava a puxar devido ao peso da carga. A Tia Arminda empurrava a carroça na traseira, procurando ajudar o animal a subir a rua. Ao mesmo tempo tentava incentivá-lo com as cumuns frases de mandar andar os burro: "Arre burro!" "Força burro!" e entre estas e outras "Fora burro!". Esta era a sagrada ordem que quando o burro a ouvia, baixava a cabeça deixava saltar a canga do burnil e os varais caiam no chão. Ou seja desengatava-se da carroça. Era uma "tragédia" voltar a por o bicho dentro dos varais engatado, porque se o carro estava carregado não era fácil levantá-lo do chão. Por vezes a cena repetia-se mais que uma vez.

Estou em crer que "Fora burro" era de facto a ordem dada no momento de o desengatar. Mas como ele não era burro de todo, sabia corresponder no momento que lhe convinha, ainda que soubesse não ser ali o curral e que viesse a "reclamar" a tal folha de couve uns metros mais acima, antes do fim da viagem!

publicado por Sir do Vasco às 23:20

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