Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

31
Dez 09

 

 

Até 1933 só a Fonte Velha abastecia de água os habitantes da aldeia, que para tal tinham que se deslocar à dita fonte com o cântaro de barro, com o meio almude, (vasilha aferida feita de metal) o balde ou com qualquer outra vasilha onde pudessem transportar o precioso líquido até suas casas. Naquela data a Sarzedas do Vasco passou a dispor de dois fontanários públicos de água corrente. E só nos anos setenta do século passado foi instalada a rede de água ao domicílio.
               
Quem sempre viveu com água na torneira de sua casa não conseguirá imaginar o que é uma aldeia ao anoitecer, com várias pessoas a dirigirem-se às fontes e a terem de esperar pela sua vez a fim de encherem o seu cântaro. Como tinham outros afazeres, por vezes pediam a alguém que ficava na fila para que lhe colocassem a vasilha a encher e depois lha deixassem em cima do poial.
Ir dar de comer aos vários animais, toda a gente tinha vários animais, ir buscar lenha para acender a fogueira onde iriam cozinhar a ceia, eram afazeres que não podiam esperar.
As fontes eram de bica aberta, no Inverno deitavam muito, enchiam-se os cântaros rapidamente, mas no Verão esperava-se muito tempo até encher uma vasilha de água. Num Verão, talvez 1962 ou 1963, não conseguimos precisar, a estiagem foi longa e quente e as fontes novas secaram, tendo todos, recorrido à água da Fonte Velha ou dos poços.
Em dias como a véspera de Natal, Passagem de ano e outros dias festivos, todos se apressavam a preparar as coisas mais cedo. Afinal, num dia de festa todos queriam um pouco mais de descanso e convívio.
Era sempre bem vinda a ajuda das crianças, nas tarefas de pequena dificuldade. Os adultos incentivavam-nas de várias formas. Na véspera de Ano Novo incutiam-lhes o “medo” de andar na rua muito de noite, muito pela noite dentro, não se devia deixar qualquer objecto na rua, nem o cântaro na fonte durante a noite, porque à meia noite passariam os Antranos e os Antremeses  e podiam levá-los. Estes “Seres” não eram explícitos na compreensão duma criança, apenas os entendíamos como qualquer coisa má, nem mesmo fantasmagórica, porque a palavra fantasma não existia no nosso léxico da época.
A noite de Ano Novo na aldeia durante os últimos cinquenta anos não passou de uma noite de convívio familiar. Anos antes dizem que os rapazes e raparigas faziam muitas vezes um baile ou bailarico, não entendendo um bailarico como sendo um baile depreciado, mas sim como um baile de carácter e músicas populares.
Quanto aos Entreanos e Entremeses, compreendemos pouco depois, na idade escolar, o seu significado e acrescentámos por vezes, a hipótese de também passarem os Entresemanas.
Todos tivemos o privilégio de, há dez anos, ver passar os Entreséculos ou Entremilénios.
Os Entreanos e Entremeses, todos os anos continuam a passar, desta vez acompanhados dos Entredécadas.
Um GRANDE ano de 2010 para todos!
 FOTOS:    Cântaro de barro; Desenho de almude ou meio almude.
                
almude: 1. Medida de capacidade para líquidos
                   equivalente a 12 canadas ou 48  quartilhos.
 2. Antiga medida de cereais.
 3. Medida de 25 litros.
     (Esta medida variava segundo as localidades.
      na Sarzedas um almude são 20 litros.) 
       
A imagem da esquerda representa um almude feito de lata. A da direita é foto de um almude padrão, do tempo do rei D. Sebastião, tendo sido este rei que pela primeira vez uniformizou as medidas em Portugal, para tal mandou fazer exemplares por onde foram aferidos todos os outros, apesar do feitio poder variar.

poial:      1. Lugar alto onde se põe alguma coisa.

 2. Assento baixo de pedra, madeira, alvenaria, etc. Local
    onde se  colocavam os cantaros da água

quartilho: 1. A quarta parte da canada.

  2. Porção aproximada a meio litro.
 
 
 
 
 

 

publicado por Sir do Vasco às 21:58

13
Dez 09

 

O BODO E A NOVENA
 
 
Quando se pergunta a um grupo de crianças, “__Qual é a razão de celebrarmos o Natal?” ou “__Porque é que existe Natal?” a resposta vem imediata e espontânea como é próprio das crianças: “__Porque há prendas! __Porque vem o Pai Natal!”. Se continuarmos nas perguntas: “__Quais as figuras que simbolizam o Natal?” ou “__Se quiserem fazer desenhos que simbolizem ou representem o Natal, o que fariam?”. Resposta: __A árvore de Natal, o Pai Natal, os presentes, as renas, a estrela…” e só depois “...o anjo, os sinos, as velas…” Mas nós insistimos: “__Pensem lá um pouco, não haverá mesmo um outro motivo para festejarmos o Natal?” Em cada grupo de vinte, uma ou duas crianças  (5 a 10%) responderá: “__Porque Jesus nasceu,” ou “__Porque nasceu o Menino Jesus.” São estes os valores que as nossas crianças têm, porque lhe são transmitidos assim, relativamente ao Natal.
Hoje13-12-2009 a TVI, no Jornal da Uma noticiou a Associação CAIS a distribuir pão, no Rossio em Lisboa. Pão a quem passa, novos, velhos, sem abrigo ou não, com o fim de “distribuir” convívio, amizade partilha… A Legião da Boa Vontade, em Braga distribuiu cabazes de Natal, onde também houve prendas, palhaços e balões para as crianças.
Na RTP, no Jornal da Tarde  “Dois mil idosos juntam-se em Vila Real para almoço de Natal oferecido pela autarquia…  …A QUERCUS de Castelo Branco prefere organizar espectáculo com o fim de recolher fundos para protecção de animais…”
Os presidentes das associações e das Juntas de Freguesia falam para as televisões…
 
Serão Bodos pelo Natal?
E no resto do ano?
 
Há dias mostraram, também numa das televisões, a entrega de assinaturas para constituição de um partido defensor dos animais!
 
Que hipocrisia!
 
Todos sabemos que existem em Portugal milhares de crianças abandonadas…
Milhares de idosos que vivem na solidão além de terem outras necessidades.
 

 

O BODO
A distribuição de Bodos fez-se em todas as regiões do nosso país. Em louvor do Santo ou Santa da devoção, por motivo de invocar uma necessidade ou pagar uma promessa. O Bodo era, normalmente a distribuição de pão aos pobres, embora em algumas terras fosse também distribuída carne e outras espécies alimentares tradicionais, bolos, confeitos e nos Açores vinhos de cheiro (morangueiro) e bolos de massa sovada.
Na Festa dos Tabuleiros em Tomar, o pão dos tabuleiros era distribuído e consumido… hoje é para desperdiçar, depois de turista ver. Em Pombal a festa ganhou mesmo nome de Festa do Bodo. No Ribatejo várias são as festas ao Divino Espírito Santo com distribuição do Bodo. As festas ainda se vão fazendo, mas a distribuição do Bodo já não, ninguém quer pão! Os "pobres" podem até pedir dinheiro para a bica, ao mesmo tempo que fumam um cigarro, mas… pão?
Diz-se que em Portugal, foram D. Dinis e a rainha Santa Isabel os monarcas inauguradores destes cerimoniais religiosos. Reza a tradição que a primeira cerimónia deste culto se realizou na Sé de Coimbra e que dela constou a coroação simbólica de um mendigo, seguida da distribuição de alimentos aos pobres, ou seja, do Bodo. A partir de então, o ritual tornou-se tradição e disseminou-se pelo país e, nalguns locais, sobreviveu até ao presente.
O Bodo era por excelência uma festa de partilha.
 
Na Sarzedas e arredores não temos festas do Bodo. Temos a lembrança da distribuição de Bodos em cumprimento de promessas, junto da capela do Souto Fundeiro. Talvez não se apercebam mas o Souto Fundeiro, também conhecido por Vitoural, tem uma capelinha, junto à curva grande da estrada. O santo que nela se venera julgamos que seja o Senhor dos Aflitos. A seguir à capela havia a fonte de água corrente, que estamos em crer, já não existe no seu aspecto primitivo.  
 Normalmente para cumprimento de  promessas, as pessoas confeccionavam vários bolos  que levavam numa cesta à cabeça. Chegados todos  ao local, era feita uma oração colectiva de acordo com a vontade do  ou da promitente e de seguida feita a distribuição aos pobres.   
Os bolos eram na realidade, pães pequenos feitos de farinha de milho e alguma mistura de centeio ou mesmo trigo. Tinham o formato aproximado dos papo-secos antigos, com uma maminha de cada lado. Por vezes podiam  levar açúcar e erva-doce.
 
AS NOVENAS
Não é difícil deduzir que novena deriva de nove. Nove pessoas escolhidas ou convidadas a participar neste acto religioso. Embora por vezes fossem mais, não sabemos se participantes ou simplesmente acompanhantes.
Uns eram de opinião que uma novena era uma manifestação religiosa, séria, pelo que os participantes deveriam seguir o seu caminho em oração e compenetrados na sua devoção. Outros aceitavam a ideia de que pelo caminho se podia dar azo ao divertimento e o acto religioso seria apenas no local do culto para onde se dirigiam. Assim muitas novenas eram composta de rapazes e raparigas que tocavam concertina e cantavam durante as caminhadas até ao local.
Recordamos a ida em novenas à Nossa Senhora da Guia, à Sapateira, à Nossa Senhora da Piedade, na freguesia de Vila Facaia e à Nossa Senhora da Saúde, no Fontão Fundeiro, freguesia de Campelo.
 
 
 Informações recentes dizem-nos que houve casos de BODOS organizados com a comparticipação de todos ou da maioria dos habitantes da aldeia. Uma ou duas pessoa dispunham-se a pedir um pouco de milho a cada habitante, milho esse que enviavam ao moinho para ser transformado em farinha, com ele faziam os respectivos "bolos" que iriam ser distribuidos. A intenção nestes casos era o pedido de obtenção de uma "graça" concedida pelo santo ou santa a quem se pedia, sobretudo relacionado com as colheitas ou com o tempo, ouvia-se muitas vezes os pedidos de "tempo conveniente"  ou seja de acordo com a época, nem muito calor, nem muita chuva.
Quanto às novenas, também terão sido organizadas a outros locais como  à Graça - (Nossa Senhora da Graça); ao Bairrão (Nossa Senhora da Agonia (?) ou  dos Aflitos (?)). (Complemento de 25-12-09)

 

publicado por Sir do Vasco às 23:48

05
Dez 09

 

A linha de talvegue que se inicia na Melgachinha e termina no Porto Enguia foi o principal eixo de terrenos de cultivo nos limites da nossa aldeia. Nesta linha confluem ainda outras mais pequenas: Uma que se inicia em Bouça e termina no Porto Pereiro; Outra que corresponde a todo o Vale da Vinha, até à Fonte Velha e ainda a que começa no Barroco do Vale de Ireira e termina no Porto Carro de Cima.
 
 
E existência de vários nascentes facilitou o cultivo e o regadio por gravidade.
Apesar de haver alguma água, nem todos os terrenos tinham condições de serem aráveis. Sendo assim, para produzirem e cultivarem os seus produtos agrícolas os primeiros sarzedenses tiveram que preparar os terrenos onde pudessem fazer a sua agricultura.
Quando a cale do vale era demasiado inclinada, fizeram enormes paredões ou açudes, capazes de suportar as terras a montante. Construiram túneis subterrâneos onde fizeram passar os ribeiros. Colocaram enormes lajes a fazer a cobertura do túneis. Estas lajes têm que suportar o peso das terras que irão ser cultivadas, os terrenos planos a que chamaram “nateiros”. (Há quem lhe chame “chã”. Chãs, porque são planos e próximos da horizontalidade, nateiros porque alguns recebiam os detritos e lodos levados pelas águas da chuva e que funcionavam como fertilizantes.) Executaram canais para desviar  riachos e ribeiros. Captaram água para regar e levaram-na por gravidade, a grande distancia.
 
 
Os açudes foram construídos de modo a que as chamadas “bicas do açude” caiam no terreno do dono do açude e não no terreno do vizinho a jusante. No Inverno quando o ribeiro vai cheio, a bica que sai do túnel é projectada a uma certa distância. Para tal deixaram sempre o açude recuado da extrema uma certa  distância, sessenta ou oitenta centímetros conforma a altura a que caísse a bica. Quando mais alta for a saida do túnel, maior será a distância a que a bica é projectada.
Em outros sítio as barrocas em vez de canalizadas foram desviadas à volta dos terrenos e encaminhadas de novo ao seu percurso normal. A água que desce dos Covões de Cima até ao Porto Pereiro foi desviada muito acima do que é a parte mais funda do vale. A água que vem do Vale da Vinha foi desviada e entra de novo na barroca no açude de Além da Fonte. No Porto Carro de Cima a barroca foi feita a Sul da linha do vale e no Porto Carro de Baixo e Porto de Enguia, a Norte da referida linha.
 

 

A água captada no Vale de Ireira regava todos os terrenos, até ao Porto da Vila do lado de baixo da estrada, incluindo o Bacelinho e o Porto Salgueiro. Era água contada, isto é, cada proprietário tinha direito a umas tantas horas de água, suficientes para regar as culturas do seu terreno, seguindo-se o vizinho, o vizinho do vizinho até dar a volta a todos e começar de novo no principio. A água do Vale de Ireira corria de pé, (subia suficientemente no poço, para correr por si devido à gravidade) até certa altura do ano. Quando o calor começava a chegar o nascente perdia a força e a água tinha que ser tirada com aguador.

A água que nascia no Porto da Água Benta ( Covões de Cima) regava até ao Porto Pereiro.

A água da Fonte Velha regava até ao Porto da Vila do lado de cima da estrada.

O Porto Carro de Cima tinha um poço comum cuja água era tirada com um engenho (nora) puxado a burro.

 

publicado por Sir do Vasco às 23:25

04
Dez 09

 

 

QUEM SABE O QUE É UM “MOINHO” DE CANOILOS (canoula) DE MILHO?
 
Os professores de Trabalhos Manuais “desapareceram”, foram reciclados. A junção das disciplinas de Educação Visual e de Trabalhos Manuais no 2º ciclo do Ensino Básico, originaram a nova e híbrida de Educação Visual e Tecnológica. Foi a oficialização da perda de destreza manual das crianças, aliada à evolução das TIC e da falta de educação familiar. (Refiro-me aqui ao ver fazer, ao ajudar a fazer, ao aprender pequenas tarefas domésticas, ao ajudar os pais, etc. Isto hoje é crime! Triste maneira de pensar, triste país este!
Há por ai alguns alunos, filhos de imigrantes de Leste, que ajudam os pais em casa, e “dão cartas” na escola. Porque será?
Tive há anos dois alunos que faziam parte do elenco de um circo que passou por aqui, durante duas semanas.”Produziram” nessas duas semanas  o mesmo que os outros alunos da turma em dois meses de aulas. Simplesmente, ouviam à primeira explicação e executavam. Porque seria? Tirem as vossas conclusões!).
 
Há vários anos atrás, alguns alunos usavam canivete e não precisavam de mostrá-lo por bem ou por mal. Usavam-no quando necessitavam e guardavam-no no bolso quando não precisavam dele. Não andavam a apontá-lo ao pescoço dos colegas. Sabiam cortar com ele um pau, uma cana, afiar um lápis, quando ainda não havia apara-lápis “a pontapé” como actualmente.
 
Toda a criança produziu brinquedos, fez de conta que era carpinteiro, serrador, carreiro, caçador, pintor, costureira, dona de casa, etc. Todos sabiam por ver fazer aos adultos, ou utilizando a sua imaginação, sem conflitos entre as partes. A pouco e pouco as crianças e jovens deixaram de saber fazer certas técnicas, e de saber utilizar certos instrumentos e saber qual a função dos mesmos.
 
A grande maioria das nossas crianças de dez, doze anos, não sabem pegar numa faca, não sabem descascar uma maçã, não sabem varrer com uma vassoura, etc.. Há vários anos atrás, quando os alunos chegavam às aulas de TM, todo o rapaz sabia pregar um prego e toda a menina sabia pegar numa agulha!
(“Não se podem censurar os jovens preguiçosos, quando a responsável por eles serem assim é a educação dos seus pais.” Esopo)
 
Há cinquenta anos atrás, também eu comecei a cortar canoilos e paus com navalha e quando me descuidava cortava também os dedos. Comecei de facto muito novo a conviver com meu avô materno, que usava sempre navalha no bolso do casaco. Foi a ele que vi utilizar a navalha como instrumento polivalente. A navalha cortava, podava, cortava a ráfia de atar as videiras, cortava pau, cortava pão, servia de talher, improvisava um garfo de jóina, etc. Com a navalha vi fazer moinhos com canoilos de milho, moinhos que com vento de jeito moíam sem parar, sem gastar o eixo por falta de óleo. E para os regatos de água a mesma navalha produzia “tecnologia” sem cessar, moinhos do mesmo material que ficavam noite e dia sem parar “a moer, a moer…” 
 
Tive o privilégio de a minha avó Conceição, me dar um canivete, cujo cabo era branco com um coração vermelho, um pouco curvo para proteger a ponta da lâmina quando fechado. Foi o meu primeiro canivete, tinha eu talvez, seis anos. A minha avó que também usava canivete, guardava-o numa algibeira que usava por baixo da saia, atada à cintura e fazia entrar a mão pela abertura lateral da saia.
Assim comecei também, a “produzir” moinhos de vento e de água, feitos de canoilos do milho, garfos de joina, gaitas de cana de centeio e de folha de oliveira, forquetas para fisgas, ganchetas para andar com os arcos, etc.. Vi e aprendi a fazer barquinhos com carcodia de pinheiro... Cortei ramos de sabugueiro e construi   estoques.  Aprendi pequenas técnicas por ver fazer  aos outros. Aprendi o encaixe a meia madeira e em rabo de andorinha feitos em canoilos, embora não soubesse os seus nomes técnicos.
 
 
 
Também aprendi a soldar com eléctrodos por tanto ver fazer ao Ti Jaime, na serralharia que ele teve nas Sobreiras. Copiei as primeiras letras sem as conhecer, mas desenhava-as tal como estavam no livro. Copiei vários desenhos estereotipados que o meu pai me fazia.
 
Mais tarde quis o destino que eu fosse professor de Trabalhos Manuais.
 
E afinal, quem sabe o que é um moinho de canoilo de milho?
 
Na Sarzedas do Vasco, actualmente, não será fácil encontrar canoilos de milho. Mas se encontrarem e quiserem saber, tragam cá, que eu ensino como se faz.
 
 
 
 ESTOQUE - "Pressão de ar" artesanal constituido  por um ramo direito de salgueiro ao qual se retirou a medula ficando furado de lado a lado.  Com um pau de espessura adaptada mas um pouco mais curto, fazia-se chegar à saída do buraco uma rolha de cortiça que não saía devido ao pau ser ligeiramente mais curto. Colocava-se então outra rolha semelhante no inicio do buraco. Pressionando com o pau esta última, ela ia fazer pressão dentro do tubo na direcção da que estava na saída obrigando-a a sair com força e direcção. Por sua vez a rolha que foi empurrada pelo pau ficou agora na saída pronta a ser pressionada.
 
ESPINGARDA DE CANA  - Formada por uma cana completamente furada, na qual se colocava uma verdasca de oliveira que no lado de trás estava fixa e na frente tinha uma abertura longitudinal de modo que se pudesse puxar atrás e disparar contra a flecha colocada na boca. A força da verdasca que tinha tendência para desfazer o arco, ao bater na flecha projectava-a para frente. A espingarda de cana não era muito comum na Sarzedas visto que não tinhamos canas para a construir. Só excepcionalmente quando se ia à "ribeira grande" (Ribeira de  Pera) é que  traziamos umas canas. 
 
publicado por Sir do Vasco às 00:48

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