Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

23
Jul 09

 

BEBER UM PIROLITO E TER UMA PRENDA…
 
Feira do ano há só uma a de Figueiró e mais nenhuma!
 
A ida a Figueiró dos Vinhos à feira anual era, há cinquenta anos atrás, um acontecimento impar em qualquer Verão. Quase todas as pessoas iam à feira. Era a oportunidade dos habitantes das redondezas poderem adquirir tudo o que precisavam, um ou outro utensílio ou produto menos comum.
 
Esta feira, parece ter origens na idade média, sendo sequência de uma feira franca que ali existia anteriormente, para venda e troca de produtos agrícolas, especialmente cereais. Conhecida por feira de S. Pantaleão é ainda hoje a feira mais completa que se realiza na comarca. Nela se vendem todos os produtos. Realiza-se nos dias 27 e 28 de Julho de cada ano.
Mais tarde descobrimos que afinal também havia feira de ano na Castanheira e em Pedrógão. Em Castanheira de Pêra realiza-se nos dias 21 e 22. No dia 23 muda para Pedrógão Grande, sendo ai nos dias 24 e 25. Dia 26 de novo a mudança para Figueiró. Pedrógão tem a particularidade de ter ainda a feira mensal todas as primeiras segundas feiras de cada mês, excepto em Agosto, dada a proximidade dos dias da feira anual.
 
A extinta empresa de camionagem “Barreiros” que tinha sede na vila de Figueiró, punha  as suas camionetas de passageiros o dia inteiro a transportar pessoa para a feira. Eram feitos vários “desdobramentos” aos horários habituais. De manhã levavam e à tarde traziam. Da Sarzedas do Vasco íamos a pé até ao Alto da Alagoa, apanhávamos a primeira camioneta que tivesse lugar, mesmo de pé, há cinquenta anos não existia esse problema de ter que ir sentado, o que importava era ir e à tarde voltar.
 
Levava-se o farnel, que se comia à sombra duma árvore do jardim. Passava o homem dos pirolitos, gasosas e laranjadas, que transportava num balde de zinco. Beber um pirolito era quase ritual. Era uma festa! Era tão mau… e era tão bom!
     
E que prenda? E que prenda vais ter tu na “feira do ano”? Era a pergunta feita às crianças. Na verdade era aquilo com que as crianças sonhavam durante meses: ir à “feira do ano” e ter uma prenda. Estava ainda em jogo a chantagem feita pelos adultos. Para ter prenda era necessário portar-se bem e ajudar a estender as pontas do milho ou ajudar a desfolhá-lo. “Senão, não vamos à feira!”.
Um carro feito de lata, um barril de dois bicos, feito de barro, que à primeira escorregadela das mãos caía no chão e ficava em cacos, uma pombinha de madeira com rodas que a fazia bater as asas, mais tarde, uma corneta de plástico ou uma bola. Uma flauta (harmónica) era uma boa prenda! O resto não contava, vestuário ou sapatos era bom… mas não eram prendas.
 
 FOTOS: Da internet
 
ACTUALIZAÇÃO EM 12-12-09
Enviaram-nos um mail  que, como muitos outros, passam e repassam e não se sabe quem é o autor.
Parece-nos curioso e relacionado com o post inicial.
Pedimos desculpa mas vamos inseri-lo aqui. Se for visto pelo autor e este tiver interesse nisso, poderá comunicar através do mail em uso e procederemos à sua identificação.
 
ACTUALIZAÇÃO EM  18-11-2010
Como referimos na actualização anterior, que fizemos em 12-12-2009, não sabiamos a autoria do artigo que inserimos abaixo sobre "O PIROLITO".
Tendo actualmente uma comunicação que nos chegou da autora do referido artigo, deixamos aqui a informação que foi publicado em 01-12-2009 no blog cujo link se segue, da autoria da Senhora D. Ana Marques Pereira.
 
 
 
 
 
O Pirolito 

 
 
O pirolito foi uma bebida muito apreciada durante a primeira metade do século XX.
Ficou no imaginário dos que a conheceram não só pelo seu gosto, mas também pela forma da garrafa.
Era uma bebida gaseificada, feita à base de um xarope feito com açúcar, água, ácido cítrico e essência de limão,
a que posteriormente era adicionado gás carbónico.
A receita deste xarope base variava de fábrica para fábrica, constituindo esse o seu segredo.
Para quem não a experimentou, pode dizer-se que o mais parecido, hoje em dia, é o Seven-Up.

 
 
Hiram Codd (1838-1887)
Apesar do nosso apego à forma da garrafa, o seu formato não é português.
A garrafa de pirolito foi inventada por um inglês, Hiram Codd, que registou a patente em 1872.
Foi criada com o fim de ser usada para bebidas gaseificadas, como a soda, águas minerais, limonadas
e foi usada em toda a Europa e Estados Unidos.
O formato da garrafa, também conhecida por «frasco de bola», distinguia-a de todas as outras bebidas gaseificadas.
Tinha uma forma cilíndrica na base, encimada por um gargalo cónico, com um aro de borracha na extremidade superior,
que se destinava a fechar hermeticamente a bebida por intermédio de uma bola de vidro.
Esta bola de vidro transformava-se num berlinde, apreciado pelos rapazes, quando se partiam as garrafas,
usados depois no jogo do berlinde.
Um estreitamento bilateral no gargalo, como se fosse feito por dois dedos, permitia fixar o berlinde, depois de aberta.
Para abrir a garrafa, bastava carregar no berlinde e este descia para a sua cavidade própria no gargalo.
Ao pegarmos numa garrafa de pirolito, ouvimos o som inconfundível do berlinde a bater nas paredes da garrafa.
 
 

Quando comecei a procurar a fábrica original de pirolitos, descobri que não era possível saber qual foi a primeira.
Em Portugal houve inúmeras fábricas de pirolitos, distribuídas por todo o território.
Assim, cada pessoa que conheceu o pirolito acha que o da sua zona foi o primitivo.
Mencionarei algumas das fábricas que encontrei numa busca não exaustiva.
Em Aveiro, em 1922, existiam 2 fábricas de pirolitos, de acordo com os jornais regionais.
Em Caria existiu uma fábrica de pirolitos. No Barreiro há referência, em 1927, a uma fábrica de Pirolitos de José Gouveia
e o mesmo se passou em Estremoz com a Fábrica do Massano.
Em Guetim (Espinho) existiu uma fábrica de pirolitos, feitos com a água da Gruta da Lomba.
Na baixa de Coimbra, há cerca de 80 anos, existia uma fábrica de pirolitos, no local onde hoje se encontra o restaurante Carmina de Matos.
Nos Açores, existiram várias fábricas de pirolitos: a de Francisco Pereira de Vasconcelos, cerca dos anos 30, na Ilha Terceira ,
a Fábrica da Rua dos Canos Verdes e a de Melo Abreu, em Ponta Delgada.
Há, igualmente, referência a fábricas em S. Jorge da Panasqueira, no Louriçal, no Alandroal e em Perafita.
Em Sesimbra existiu, em 1935, a Marítima, de Jorge Amaro Reis Neves.
Em Redondo existiram pelo menos duas fábricas: a do Botas, que utilizava a água da Fonte da Bicha e a
Fábrica de refrigerantes da Serra d' Ossa.
Na Marinha Grande existiu a Fábrica de pirolitos e gasosas de Antunes & Reis, em 1929, e em Castelo de Vide
a fábrica de Olímpio Gonçalves Novo (1899 - 1960).
Esta última com uma referência especial pelo estudo que foi feito sobre esta empresa, e que se encontra disponível no site do Museu de Castelo de Vide 
http://www.cm-castelo-vide.pt/pdf/PE%C3%87AS%20DO%20M%C3%8AS_%20PDF_/GARRAFA%20DE%20PIROLITO%28PDF%29.pdf Também na Venda do Pinheiro, em 1926, Francisco Alves começou a produzir pirolitos, para além de outros refrigerantes.
Esta empresa então designada Francisco Alves e Filhos, viria também a produzir a Laranjina C e mais tarde, nos anos 70,
a Trinaranjus. Em 1990, foi adquirida pelo grupo Cadbury-Schweppes Portugal, SA.
Na Lourinhã http://www.museulourinha.org/pt/etno_prof_13.htm existiu uma fábrica que era propriedade de José Maria de Carvalho e há referência à existência de duas fábricas
de pirolitos no Concelho do Cadaval, uma na própria vila do Cadaval, cerca dos anos 30 e outra, em Vilar, no final dos anos 40.
Esta lista de fábricas de pirolitos mostra-nos que deve ter havido muito mais, uma vez que se tratava de uma produção familiar
e cuja distribuição era normalmente regional.
 
 

Em comum, existiam as garrafas fabricadas na Marinha Grande.
Do que nos foi possível constatar, existiam vários tipos de garrafas.
Embora o modelo seja o mesmo, os tamanhos e o tipo de vidro variam ligeiramente.
Isto deve-se a que eram fabricadas em várias fábricas.
Algumas garrafas não tinham qualquer identificação na base, enquanto outras apresentam as marcas das fábricas em que eram produzidas.
Identificámos as seguintes marcas: SB- correspondendo á Vidreira Santos Barosa, RG que se refere à fábrica de Ricardo Santos Gallo,
CV à Companhia Industrial Vidreira e ainda as marcas DS e P, que desconheço a que fábricas pertencem.
Nos anos 50, preocupações com a higiene levaram a uma legislação que obrigou os fabricantes a melhoramentos nas suas fábricas e
à proibição de utilizar este tipo de garrafa de bola, por ser de difícil lavagem.
Em resultado, muitas fábricas de pirolitos foram obrigadas a fechar.
Acabaram os pirolitos. Ficou-nos a memória.

 

publicado por Sir do Vasco às 00:42

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