Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

25
Mar 08

  

 

 

A SESTA
 
O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré.

Nossa Senhora da Anunciação

E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.” (Lucas. 1, 28) 

“…E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.” (Lucas. 1, 31)

“…Disse-lhe, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a Tua palavra…” (Lucas. 1, 38)

 
O episódio da Anunciação descrito pelo evangelista S. Lucas revela o cumprimento do plano salvador de Deus anunciado desde as origens e lentamente preparado ao longo da história da salvação.
Os especialistas do Culto Mariano retrocedem na história até ao momento da Anunciação, quando, ao levar a mensagem divina, o anjo Gabriel esperou o «despacho» favorável de Nossa Senhora: “…cumpra-se em mim segundo a tua palavra”.  
Ficou desde então associada a várias invocações conhecidas por: Nossa Senhora da Anunciação, Nossa Senhora do Bom Despacho, Nossa Senhora do Ó e da Boa Hora. Ela é sempre e do mesmo modo protectora da «fertilidade», sendo por isso muito da devoção das gentes do campo.
 
Na Sarzedas do Vasco sempre lhe ouvimos chamar Nossa Senhora de Março. Não sabemos qual o razão desta invocação, a não ser, o facto óbvio, de se celebrar no dia 25 de Março. Esta foi a data escolhida pela Igreja para tal, contando assim nove meses até ao nascimento do Salvador, a 25 de Dezembro.
 
Nossa Senhora de Março, a maior amiga dos trabalhadores rurais, diziam eles no tempo em que por lá os havia!
Antes de instituído o dia de trabalho de oito horas, o trabalho de sol a sol, (do nascer até ao por do Sol) era duro, era longo e prologava-se por mais de doze horas diárias, no período entre os equinócios. Em pleno Verão trabalhar ao Sol às duas horas da tarde é um suplício (As duas horas oficiais, serão aproximadamente e sem pretendermos qualquer rigor cientifico, o meio dia solar). Não era por acaso que se fazia esta pequena justiça a quem trabalhava: permitir que usassem uma pausa, de cerca de uma hora para descanso, a seguir ao almoço, (jantar) a que chamaram SESTA. Esta concessão só era retirada a partir do dia de Nossa Senhora da Confiança, a oito de Setembro.
Além da sesta, eram ainda permitidas duas refeições rápidas, com cerca de meia hora cada: o almoço por volta das dez horas e a merenda cerca das cinco da tarde.
Sempre acompanhadas do vinho, que o patrão oferecia, as refeições rurais eram então:
- A dejejua ou o dejejum, normalmente tomado em casa, podia variar conforme o gosto e as possibilidades de cada um. Havia quem tomasse o “mata-bicho”, que se resumia apenas à ingestão de bebidas alcoólicas.
- O almoço, pelas dez horas, uma refeição que podia ser quente e de teor mais nutritivo.
- O jantar, cerca da uma da tarde, composto por sopa e segundo. No caso de não haver possibilidades para mais, seria pelo menos complementado com algum conduto. Vimos muitas vezes esse conduto ser apenas carne gorda, de porco, cozida e comida com pão de milho. E por vezes um ovo cru, bebido cru, por um buraquinho feito na própria casca. À falta de melhor, um ovo cru sempre revigorava as forças.
- A merenda, a meio da tarde, (às vezes oferecida pelo patrão), era uma pequena refeição rápida como o almoço, normalmente à base de frios: resto da carne do almoço, sardinha frita e se houvesse queijo, ovos fritos, chouriço ou filhós de centeio, um festim, que não era para todos os dias, nem para qualquer patrão.
- A ceia, já de noite, em casa, esta era o último aconchego do estômago antes da deita, que não tardava a chegar, porque as noites eram pequenas, era preciso descansar para no dia seguinte tudo se repetir.
 
publicado por Sir do Vasco às 00:27

24
Mar 08
A festa da Páscoa é anterior a Cristo e até mesmo anterior ao povo Hebreu.
Os povos pagãos já comemoravam a festa da passagem, durante a mudança de estação, para o início da época das colheitas.
Páscoa significa "passagem", vem da palavra hebraica Pesah e em aramaico Pasha.
É a festa da libertação, a mensagem da ressurreição. A passagem para uma vida nova.
 
Na segunda feira da Páscoa, pela manhã, um foguete, lançado para o ar no largo das Sobreiras, anuncia  a toda a aldeia a chegada do Senhor Padre, com os respectivos acompanhantes, para a visita pascal.
Um homem de opa vermelha, leva a Cruz Pascal, magnificamente engalanada. Outros a caldeirinha de água benta com o respectivo hissope e a indispensável campainha que vai anunciando lá à frente a chegada da Cruz e do Senhor Reitor.
 No ar festivo paira  o aroma fresco do alecrim, da hera e do junco, espalhados à porta de cada casa, que tem a porta aberta para a visita, e matizado aqui e ali com pétalas de rosa e de outras flores.
As famílias esperam dentro de casa, ai o Padre anuncia a Páscoa, asperge com água benta, a cruz é dada a beijar aos elementos da família   presentes. Seguem-se os cumprimentos e as Boas Festas, sete segundos de conversa, uma brincadeira rápida com as crianças a quem o Sr. Padre dava uma mão cheia de confeitos.
Tudo decorre em passo acelerado porque a volta ainda é grande. A Ervideira, o Souto Fundeiro e a Balsa já tiveram a visita. Depois da Sarzedas do Vasco, seguem-se a Sarzedas de S. Pedro, o Vermelho e a Moita.
É hábito conceder o “folar” ao pároco que visita as casas. As ofertas quase sempre passam pelo dinheiro que é recolhido por um dos acompanhantes durante a visita.
 
Aqui deixamos a recordação do que foi a visita pascal, nos anos cinquenta e sessenta do Séc XX. Ainda na memória a do padre Arménio Marques e muito mais vivida a do padre Aurélio de Campos.  
Depois…
Resta-nos relembrar e deixar o registo, aos mais novos, para que saibam... tal como outras terras, a Sarzedas teve em tempos visita pascal.

 

publicado por Sir do Vasco às 01:57

03
Mar 08

              Qual o significado da Quaresma

A Quaresma é o período de tempo, que vai desde Quarta-feira de Cinzas até Domingo de Páscoa.
A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima, espaço de quarenta dias.
Como outros, o número 40 é carregado de simbolismo. Entre outros significados, pode ser um período de preparação por causa de um grande acontecimento. Ou de descanso depois de uma grande actividade,   dizendo-se “está de quarentena”.
 O dilúvio durou 40 dias e 40 noites; 40 anos foi o tempo que passou o Povo de Israel no deserto, preparando-se para entrar na Terra Prometida. Os habitantes de Nínive fizeram 40 dias de penitência antes de receber o perdão de Deus; 40 dias esteve Moisés e Elias na montanha; Jesus passou 40 dias  no deserto.
A instituição litúrgica da Quaresma (Quadragésima - 40 dias), foi organizada em Roma na segunda metade do século IV (383). É o grande período em que toda a Igreja se recolhe, e se purifica para preparar a Páscoa.
A nossa Quaresma é, por isso:
- 40 dias de luta: com Cristo lutador, resistamos às tentações e ao pecado;
- 40 dias de penitência: como os Hebreus no deserto, aceitemos sacrifícios para purificar nossas almas. Aliviar a fome dos mais pobres será o fruto tangível da nossa penitência e do nosso “jejum”;
- 40 dias de formação cristã e de oração: a Palavra de Deus que escutaremos com mais frequência e interesse nos porá em maior contacto com Deus.
Tudo começa em Quarta-feira de Cinzas. Dia em que nas missas se faz a “Imposição das cinzas” pelo sacerdote: “Lembra-te que és pó da terra”. É o sinal do nosso arrependimento e do nosso caminho de conversão: “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”.
É importante que a igreja e o estilo da celebração ajudem a criar o “clima” e o ambiente próprio da Quaresma: cânticos adequados, silêncio, omissão da Gloria e do Aleluia que só serão entoados na Vigília Pascal; Actualmente em algumas paróquias pode ver-se em destaque uma cruz e alguns cartazes com frases alusivas a este tempo.
 
O Jejum e a abstinência
O jejum é a privação total ou parcial de ingestão de alimentos. Há quem coma pouco e apenas em três vezes ao dia, há quem como apenas pão e água (Gandhi fez vários jejuns em que ingeriu apenas água com sumo de limão).
A abstinência consiste em não comer carne, na Quaresma e em todas as sextas-feiras.
A igreja propõe o jejum e a abstinência principalmente como forma de sacrifício, mas também como uma maneira de se educar, de ir percebendo que, o ser humano o que mais necessita é de Deus. O jejum, assim como todas as penitências, é visto pela igreja como uma forma de educação no sentido de se privar de algo e reverte-lo em serviços de amor e em práticas de caridade.
Oficialmente, o jejum deve ser feito pelos cristãos baptizados,entre 18 e 60 anos, na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.
Antigamente, a Igreja vendia as “bulas” e “indultos”. Mediante o pagamento de certa importância por pessoa, ficavam estas desobrigadas, isto é, poderiam comer carne na Quaresma e em todas as sextas-feiras do ano excepto nas da Quaresma. Quem não pudesse pagar esta “penitência” só tinha que cumprir, da outra forma, os preceitos de  bom cristão: Não comer carne na Quaresma e em todas as sextas-feiras do ano.
Os hábitos alimentares das pessoas evoluíram muito, pelo que hoje em dia, pode haver refeições que não sendo de carne, sejam ainda muito mais apetecíveis.
Actualmente permite-se que os sacrifícios, possam ser escolhidos livremente, por exemplo:   deixar de mascar chicletes, deixar de tomar a bica, deixar de fumar (este além de sacrifício para quem o fizer, só tem benefícios em relação à sua própria saúde) total ou parcialmente. O valor que não for gasto num destes consumos deve ser usado para o bem de alguém necessitado ou entregue à Igreja como renúncia quaresmal.
 
A Quaresma na Sarzedas
Cabe-nos recordar a Quaresma na Sarzedas. Na capela do S. Pedro, a ausência de flores e os santos tapados com panos roxos.
Era um tempo “feio” e difícil de compreender. No entanto, há recordações que ficaram e que marcaram. Lembramos os primeiros anos (anos sessenta do séc. XX) em que o Sr. Padre (à época, hoje Cónego) Aurélio de Campos chegou à paróquia de Castanheira de Pêra, e introduziu uma vivência religiosa inovadora durante a Quaresma, nas várias capelanias da freguesia. Fazia e convidava outros sacerdotes, para o ajudar a fazer alguns dias de pregação e oração em cada capela. Conseguiu motivar os paroquianos a viverem a Quaresma dum modo diferente. Na Sarzedas, na Moita, no Troviscal, na Gestosa, Na Senhora da Guia e em Pêra, uma semana em cada capela e todos estavam presentes, depois de um dia de trabalho.
 
Porquê a cor roxa?
A cor litúrgica deste tempo é o roxo que simboliza a penitência e a contrição. Usa-se no tempo da Quaresma e do Advento. Na nossa cultura, o roxo lembra tristeza e dor.
Nesta época do ano, são comuns flores roxas, violetas e róseas (das quaresmeiras ou "Flor-de-quaresma", planta herbácea, glanduloso-viscosa, pertencente à família das Saxifragáceas). Os lírios com que tanto gostávamos de enfeitar o “Ramo”, que levávamos à missa no Domingo de Ramos.
O DOMINGO DE RAMOS
As celebrações da semana santa têm início no Domingo de Ramos, ele significa a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Os ramos simbolizam a vida do Senhor, ou seja, Domingo de Ramos é entrar na Semana Santa para relembrar aquele momento.
Na capela da Sarzedas sempre houve uma pequena bênção dos ramos, embora sem procissão exterior.
Antigamente todas as pessoas levavam grandes ramos de louro e alecrim.
As senhoras e meninas organizavam as hastes mais ou menos de forma tradicional, unindo-as pelos caules e atando-as.
Aos homens bastava um rebento novo de oliveira.
Os rapazes, até aos seus quinze ou dezasseis anos eram uns verdadeiros artistas… Ou com enormes ramos de loureiro, que chegavam quase ao teto da capela e com frequência batiam nos candeeiros ou com figuras geométricas: triângulos, quadrados e círculos, feitos numa base de madeira e cobertos com as folhas do louro, do alecrim e da oliveira.
Dum modo geral, todos gostávamos de enfeitar os ramos com algo mais colorido. Uma camélia ou um lírio eram flores de excelência num ramo, mas a branca noiva ou mesmo uma acácia, também serviam. Arranjar louro florido era outra das perspicácias que procurávamos demonstrar. O cheiro à flor do louro era  intenso e agradável. Ainda hoje sentimos esse cheiro com alguma nostalgia.
E claro está, o rapaz que conseguisse apresentar o ramo mais alto, apesar de todos os inconvenientes que isso trazia, era o mais admirado, pelo menos pelos outros.
Depois de benzidos os ramos, eram levados para casa, mas não podiam entrar mais para debaixo de telha, dizia-se que perdiam a validade.
 Eram então desmanchados e os pequenos ramos atados em cruz. Estas cruzes eram levadas para as hortas, aí colocadas na ponta de uma vara espetada no solo ou atadas a uma árvore.
Mais uma vez se pedia a intervenção divina, através daqueles ramos abençoados, para as boas culturas e boas colheitas.
 
 
 
 
 
 
 
publicado por Sir do Vasco às 01:06

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