Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

20
Jun 07

Estamos, mais um ano, a festejar os Santos Populares.

Na Sarzedas do Vasco, foi costume em tempos já longínquos, (princípio do séc.XX), festejar com mais fervor o S. João. Ouvi contar que em noite de S. João havia fogueiras, como em muitas outras aldeias. Além do convívio que era feito, os rapazes mais novos faziam fachos com carquejas que acendiam na fogueira  e percorriam os campos já semeados, com os fachos a arder. Afastavam assim todos os males invocavam a protecção divina para boas colheitas. E não provocavam incêndios, digo eu agora!

Pelo S. João,  apenas me lembro de as moças solteiras fazerem bonitos arcos de flores que colocavam nos fontanários.

Numa aldeia onde acontecia tanta coisa... e não acontecia nada... era para mim uma alegria de criança, olhar, ver, comtemplar o colorido daqueles arcos, sentir o cheiro das suas flores. Agora mesmo o sinto no olfato sem ele existir, está memorizado tal como sei que dois e dois são quatro.

    

A propósito, a Fátima, o ano passado 2006, fez um arco, para a fonte de baixo, estava bonito como os de há cinquenta anos atrás. Aqui vai a foto que ela me cedeu.

 No arco colocou o seu poema à água:

 

Sou parte da mãe natureza

Sou parte do que há em ti

Sou o cravo sou a rosa

Sou a flor do teu jardim

 

Lembra-te Ó peregrino da noite

Nunca te esqueças de mim

Sou levada pelo vento

Com tudo o que há em mim

 

Não tenho terra nem Pátria

Sirvo a todos por  igual

Sou a alma desta terra

A alma do mundo afinal

Sou água, água de Portugal 

  

 

Fotos: - Arco de S. João 2006 na fonte de baixo              

publicado por Sir do Vasco às 18:06

19
Jun 07

 

Sarzedas

Não é fácil encontrar nos livros quaisquer referências a Sarzedas de S. Pedro ou Sarzedas do Vasco.

A GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA BRASILEIRA”, volume XXVII, pagina 775, refere Sarzeda (Sernancelhe) e Sarzedas (Castelo Branco).

 Quanto à origem toponímica diz: «O próprio topónimo Sarzedas é garante de alta antiguidade, pois assenta num derivado do lat. Ceres(i)a, “cereja”. Há porém, alguma incerteza no étimo: este devia ser, segundo toda a aparência, o lat. cereseta (pl. de ceresetu, ou esse plural singularizado, …)».

Na página 776 « …lat. cereseta, pelo plural, designando ajuntamentos de cerejeiras, com certeza bravias, no local (lat. ceresia). O topónimo inicialmente, devia, pois, ter as formas Ceresedas> Cer(e)sedas (ou Cerzedas).».

 

  

Podemos concluir que o étimo é muito antigo e se deve ao facto de no local existirem muitas cerejeiras.

A Sarzedas de S. Pedro, seguramente mais antiga, terá influenciado a origem da Sarzedas do Vasco.

Transcrevo de seguida uma história, com algum fundamento de verdade, que ouvi contar ao meu tio-avô Manuel Eiras e que quando estudante do Externato S. Domingos, publiquei na “nossa” página mundo jovem de “O Castanheirense”.

Evocando a História

Foi em tempos, já bastante recuados, que viveu na Moita um grande lavrador, senhor de grandes propriedades, talvez ainda de características feudais, cujo nome era Vaz Pires.

Tinha três filhos.

 O mais velho seguiu a carreira eclesiástica. Foi bispo em Coimbra. Desde então, sempre foi movido pelo ardente desejo de criar na sua terra uma freguesia. Os burgos mais antigos eram Sarzedas de S. Pedro e Pêra. Duas freguesias não se podiam fundar. Mas o problema resolveu-se. No séc. XVI surgiu a freguesia no caminho entre as duas povoações, um lugar chamado Castanheira, que se começou a chamar de Pêra por ficar mais próximo desta.

Os outros dois filhos do lavrador casaram-se. Como era costume naquele tempo, a um deu-lhe o lavrador o casal correspondente ao actual Vermelho, que se começou assim a designar põe este primeiro habitante ser de rosto avermelhado. Ao outro foi-lhe dado o casal duma propriedade que começou a chamar-se Sarzedas do Vasco, por este ficar próximo da Sarzedas de S. Pedro e este primeiro habitante se chamar Vasco. In “O Castanheirense” 20-5-70.

 

«Sarzedas do Vasco

Parece ser de fundação do século XIV, tal como a Moita. Terá sido seu fundador, Vasco Pires, segundo a tradição oral, irmão de Brás Pires e do já citado Bispo de Coimbra, (1398).

É designada em documentos antigos por Sarzedas de Além.» (Kalidás Barreto, in Monografia do Concelho de Castanheira de Pera, 1989, Página 43)

 

 

 

Sarzedas do Vasco é uma aldeia do concelho de Castanheira de Pera, distrito de Leiria, Portugal.
Dos cerca de cento e cinquenta habitantes nos anos sessenta do século vinte, poucos restam. Actual e permanentemente, aqui vivem, pouco mais de duas dezenas de pessoas. Este número pode aumentar ligeiramente em alguns fins-de-semana ou época de férias

                

 

 

 

                 

Pretendo divulgar algumas imagens, histórias, ditos, tradições, usos e costumes que eu vivi e vi viver, enquanto por lá permaneci, até aos meus vinte anos.

 

FOTOS: - Cerejas

             - Casa de Xisto, com balcão exterior (escada) onde viveram  os meus avós

                Domingos Eiras e Conceição Eiras

             - Chafariz da eiras. Neste local existiu a eira comunitária

             - Chegada vindo de Sarzedas de S. Pedro

             - Lomba, cimo do lugar

 

 

 

 

 

 

  

publicado por Sir do Vasco às 19:45

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