Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

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ESPECULAÇÃO SOBRE A FORMAÇÃO DA ALDEIA

 

Sarzedas do Vasco

Não existem palácios, palacetes, solares, nem brasões na verga da porta.

As construções parecem simplesmente  ter acompanhado a evolução, havendo uma ou outra que se distingue pelo tamanho ou pela aplicação pioneira de alguma técnica de construção.

Não conhecemos documentos que possam ajudar a compreender a formação desta aldeia. No entanto, se fizermos uma análise  a priori da disposição das habitações podemos verificar que existiu um núcleo aparentemente mais antigo, que se situa entre as fontes da Eira e do fundo do lugar.

As casas situadas entre a Quelha da Fonte (velha) e a  Quelha da Figueira, são de construção relativamente recente. A casa do visavô Manuel da Silva Eiras tinha uma inscrição na cantaria de xisto, na padieira, que provavelmente assinalava a data de construção, 1888.

A casa que foi do padrinho Armando, a da Dra. Rosa Maria e a que pertenceu ao avô Domingos, foram todas reconstruidas sobre outras mais antigas, bem como a dos primos Helena e José.

Em frente à fonte, espaço que pertence atualmente aos primos João e Rosinda existiu um “complexo habitacional” de duas ou três casas que foram habitadas em tempos, sendo apenas da nossa lembrança conhecer as ruinas e ouvir contar tal facto. Recordamos apenas uma delas, ainda com telhado, onde viveu a Tia Maria Helena, irmã da avó Conceição, antes de ir para as Baútas, Queluz. Lembramo-nos mais tarde de o Ti Manuel Simões (Barbeiro), salvo erro, ter o burro lá na loja e arrecadar a palha no primeiro andar. Esta casa desapareceu quando foi alargada a rua.  

Ao subirmos a rua até ao Largo da Eira, verificamos vários grupos de casas construídas em banda, geminadas como se diz agora. Encontramos algumas em ruina e alguns locais onde existiram casas que desapareceram, pressupondo construções muito antigas.

Observando as outras habitações da povoação fora desta zona, verificamos que são  separadas e independentes, construções mais elaboradas, o que nos leva a crer  que sejam mais recentes.

A matéria prima utilizada nas construções mais antigas foram sobretudo a pedra de xisto, à vista e a madeira. Isto é visível nas que ainda existem ou nas que estão em ruínas. Xisto e barro nas paredes, barroteamentos em madeira, de carvalho local ou castanheiro, cobertura em telha mourisca, árabe ou vulgarmente chamada de canudo, embora raramente, apareciam algumas lousas  em coberturas. Estas eram frequentemente usadas nos cobertores dos degraus das escadas muitas das vezes maciças, chamadas de "balcão" e outras em consolas não muito largas e por vezes faziam ainda a varanda exterior. Nos vãos mais largos, como sendo as padieiras de algumas portas, utilizavam-se grandes barrotes em vez de pedra devido à sua maior resistência ao esforço transverso em relação à pedra.

Mais tarde apareceram os rebocos com argamassa de areia e cal.

Na reconstrução de muitas delas foram aplicadas técnicas mistas em que foram mantidas as paredes de alvenaria de pedra, nas quais foram aberto sulcos verticais a fim de colocar pilares de betão e aço.

Só muito recentemente se aplicaram as novas técnicas de construção fazendo estruturas de betão e aço e alvenarias de tijolo.

publicado por Sir do Vasco às 23:32

3 comentários:
Comentário a Aldeia de Xisto
Que belo trabalho, amigo Armando!
Com referência à casa reconstruida da minha sobrinha Dra. Rosa Maria, bem como a anterior, no local onde foi construída a do seu padrinho Armando, contava-me a minha avó Rosa (1882-1971, que não se lembrava de terem servido de habitação. Na minha juventude funcionavam como palheiros, mas tinham vestígios de terem

Manuel Tomaz
Manuel Tomaz a 11 de Dezembro de 2011 às 17:56

(continuação do comentário) ...terem sido habitadas.
Manueln Tomaz a 11 de Dezembro de 2011 às 18:05

Tenho a ideia de uma vez ou outra que entrei na casa que a sua sobrinha mandou reconstruir de ser bastante mais completa, (tendo inclusivamente escada interna para o primeiro piso,) do que a do meu avô e daí poder ter sido habitada. A do meu avô e que o meu padrinho reconstruiu, era mais tosca e dava a ideia de estar inacabada, tinha um "salão" único no 1º piso e uma varanda mal acabada e sem guarda adequada, o que leva a crer que se foi feita para habitar não chegou a ser concluída.
Tenciono completar este post com uma das suas fotos e uma outra que a Fátima me enviou.
Sir do Vasco a 13 de Dezembro de 2011 às 01:08

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