Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

06
Set 07

A religião é de uma forma geral um sistema de crenças e práticas relativamente a Entidades Superiores, às quais os homens prestam culto, tendo isso implicações nos seus projectos de vida.
As crenças populares tendem a ter uma visão natural de Deus, uma incompreensão do sagrado, e uma tendência a dar muita importância à figura e função dos santos.
O misto entre o sagrado e o profano expressam a sua cultura e a sua religiosidade.
Um pouco por todo o país, repetem-se nestes meses de Verão as festas religiosas populares.
Sob o ponto de vista sócio-cultural, a festa pretende preservar os valores da sociedade e da cultura. Nestas circunstâncias, a prática impõe-se como uma herança tradicional, como lugar de encontro e de convívio. Daí que se dê especial importância à festa local. A religiosidade popular expressa-se na ida á missa mas também em outras manifestações como sejam as procissões, as promessas, as penitências, as peregrinações, a gastronomia e concentrações profanas.
Em torno do santo da terra a comunidade pode reunir-se. Reúne-se a comunidade residente e a ausente que vem em férias ou apenas no fim de semana. É também um factor de integração e comunicação, dado todo o trabalho de preparação que é exigido. É uma forma de atracção e de sedução de pessoas de fora.
Também a festa do S. Pedro, da Sarzedas de S. Pedro, tem procurado manter esta tradição.
Diferenças há muitas. Vamos apenas recordar.
O fogo
Ouvíamos contar às pessoas mais velhas, que o fogo, antigamente, era de véspera, isto é, no sábado à noite. Naturalmente além do fogo havia o bailarico animado pelos próprios pares dançantes e mais tarde pelo som do harmónio. Esta tradição perdeu-se na maioria das festas, na nossa região. Apenas na Sra. da Confiança, em Pedrógão Pequeno se mantém.(Enfim… actualmente são proibidos foguetes e fogo de artifícios, porque querem fazer-nos crer que provocam incêndios. Não há duvida que a massa combustível é muita e em alguns sítios houve incêndios provocados por foguetes… )Ainda recentemente, os foguetes começavam a estoirar oito dias antes, enquanto os mordomos preparavam e enfeitavam o arraial. Este era o anúncio, que se ia fazendo, à distancia, do dia da festa que se aproximava.
O aparecimento da energia eléctrica, veio trazer algumas novidades.  A amplificação do som que era “atirado”  para a torre e difundido através das campânulas de som, por toda a região.(actualmente o som é "enclausurado" com enormes e potentes culunas ao nível do palco, pelo que ninguém consegue conversar ou fazer-se ouvir durante o espectáculo. É de rebentar tímpanos!) A festa começou a prolongar-se noite dentro com o recinto iluminado por conjuntos de lâmpadas que além de iluminarem, se apresentavam em várias cores, dando uma vivacidade característica a todo o arraial. 
A quermesse, que ainda se mantêm em quase todas as festas, tinha antigamente, um encanto diferente. Mesmo sem sair sempre, como acontece em alguns casos actualmente, havia todo um entusiasmo de tirar mais uma rifa na expectativa de tirar um bom prémio. Só que acontecia que na quermesse estavam expostos “bons prémios” que não faziam parte do sorteio (publicidade enganosa, naquele tempo não havia ASAE!!!????) Prémios esses que eram leiloados pela noite dentro nos intervalos do espectáculo.
A barraca da Bicharada
O que era a barraca da bicharada? Mais um divertimento dentro da festa, também este baseado em rifas. Neste caso as rifas eram vendidas em séries de vinte números. O prémio era um “bicho” vivo: um frango, um coelho, um pombo… O sorteio era imediato, isto é, assim que estivesse vendido o último número andava a roda, uma pequena roleta numerada de um a vinte.
Mas antigamente o sorteio era feito com uma espécie de tômbola horizontal, numerada de um a vinte, a cada número correspondia um buraco. No centro era colocado um coelho ou uma cobaia (porco da índia) tapado por uma caixa. Logo que os bilhetes estivessem todos vendidos, destapava-se o bicho, esperava-se que este se escondesse  num dos buracos e assim escolhia o número premiado. Nem sempre o animal tinha a rapidez desejada pelo que se passou a utilizar a roleta. Mas que era divertido … lá isso era! A expectativa que se ia criando à medida que o bicho se aproximava dos buracos, até finalmente estar quase a entrar num… e de repente entrar no do lado, enfim… era a adrenalina possível na época!
     
Sentimos dificuldade em explicar por palavras o funcionamento deste sorteio, pelo que optámos por fazer um pequeno croqui que talvez ajude a compreender a descrição apresentada.
Grupos de duas meninas, circulavam pelo arraial, tentado angariar algumas moedas para as despesas da festa. Para tal levavam numa bandeja “flores de papel” com um alfinete que iam colocando na lapela dos casacos dos cavalheiros em troca de uma pequena contribuição. Mais tarde essa “flor” foi substituída pelo pequeno autocolante. Actualmente não se vê este "peditório", em qualquer festa.
 “Olhó estica”
Não sabemos a razão deste pregão… Mas era com ele que “o Estica” apregoava os chupa-chupas de fabrico artesanal. Todos os anos vinha um senhor, não sabemos de onde, (Coimbra??) circulava pelo arraial com um pequeno tabuleiro pendurado ao pescoço com um correia, tabuleiro esse que continha os dito chupa-chupas. Estes não eram mais que açúcar caramelizado com sabor a frutas e embrulhados em papel vegetal, com forma cónica e um pauzinho para se lhe pegar. Decerto todos quantos se lembram desta figura na festa, recordam também o quanto era bom saborear esta guloseima.
A procissão nem sempre teve o itinerário actual. Era mais pequeno, limitava-se a dar a volta pela rua que vem direita ao Largo do Jogo e dai para a capela.

As pessoas colocavam colchas nas janelas e iam à procissão… Hoje não há janelas engalanadas… mas há pessoas, em algumas janelas, a ver a procissão passar…!?
O S. Pedro e a Nossa Senhora de Fátima eram vestidos com os seus mantos para saírem na procissão. A imagem de Nossa Senhora de Fátima, portava a sua coroa de ouro na cabeça e os seus fios, também de ouro. Ultimamente não se têm visto estes adornos. Talvez por receio de possível assalto durante a procissão!...?? Estamos em crer que isso nunca aconteceria…ninguém se atreveria a roubar este pequeno tesouro. Assalto a uma procissão só mesmo O Rapto do Senhor Santo Cristo, dos Açores, durante a sua famosa procissão… mas não foi fácil… falhou! Pura ficção! (aconselhamos a leitura de “O rapto do Senhor Santo Cristo dos milagres” edições AS-Lda. De Jayme Velho).
Era bonito ver os santos em dia de festa! Pessoalmente, diga-se, sentíamos alguma vaidade nisso, dado que o manto e um cordão de ouro foram oferecidos por familiares muito próximos. Um dos quais, acabado de regressar de Moçambique, no ano de 1964, onde cumprira comissão de serviço, ofereceu o manto a Nossa Senhora de Fátima. No momento exacto em que o andor estava para ser levantado, para seguir na procissão, outro dos familiares em causa, retira o cordão de ouro, de seu pescoço e coloca-o ao “pescoço” da Santa. Imagem esta gravada na nossa memória como se tivesse sido este ano!
A evolução provoca mudanças, as necessidades levam por vezes a alterações forçadas …   … mas há tradições que podiam ser um pouco mais preservadas!

  

   

  

 

 

 

 

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publicado por Sir do Vasco às 00:00

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