Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

24
Mai 11

 

O Rui André, de Rio de Moinhos, Abrantes, amigo e defensor das tradições da sua terra colocou no facebook um vídeo cujo tema é: “Armação do pinheiro da Amoreira”.

 

http://rmvandre.skyrock.com/2998170753-Armacao-do-Pinheiro-de-Amoreira.html

Um outro bloguista de Amoreira faz a explicação do que é a “Armação do pinheiro da Amoreira”. http://somosdamoreira.blogs.sapo.pt/

No dia 1 de Maio de 2011 ( Domingo) , mais uma vez se manteve a Tradição de no fim de semana da Pascoela se fazer a festa pagã da Armação do pinheiro,  onde coordenadamente as pessoas se juntam para içar um Pinheiro preparado previamente para o efeito.  Pinheiro esse que servirá para as pessoas tentarem subir e o primeiro que o subir receberá uma soma em dinheiro, um bacalhau e dois bolos de quilo em forma de ferradura. Para quem não sabe esta festa é uma variante da antiga festa do "Bôdo " onde para além do içar do Pinheiro também se matava um boi e a sua carne era distribuida pela população.Hoje em dia já não há boi mas é tradicionalmente distribuido tremoços e Vinho a todos os presentes  no recinto.

 

 

Assim fomos levados a relembrar mais uma vez algumas tradições.

Hoje em dia estas tradições são revividas de modo um pouco diferente. Apesar de as aldeias estarem cada vez mais despovoadas, são normalmente visitadas pelos filhos ausentes ou mesmo pelos já descendentes de segunda ou terceira geração. Vêm pelo Natal, pela matança do porco, pela Páscoa em  muitos "fins de semana" ao longo do ano. Pouco a pouco a melhoria das vias de comunicação rodoviárias e a aquisição de transporte individual  “automobilizado” por parte das pessoas, facilitaram as deslocações rápidas. O conceito de “fim de semana” começou a existir nos anos sessenta, com a dispensa dos militares durante o sábado e domingo, já que havia guerra, o Estado tentava matar dois coelhos com a mesma cajadada, dispensava os militares nos fins de semana, o que os aliviava um pouco do stress da tropa e poupava na alimentação.

Estamos em crer que muitos portugueses da cidade  e sem raízes no interior do país têm uma ideia de tradições e festividades populares porventura diferente  da realidade. Chegam-lhes imagens “vendidas” e distorcidas através das televisões, de festas e romarias como: a   Senhora a  Agonia, a Festa dos Tabuleiros, a feira de S. Mateus ou a feira do S. Martinho e de muitas outras.  A “cultura popular” fica muitas vezes nas barraquinhas de pseudo-artesanato, nas tasquinhas, no festival da sopa ou do chocolate, nos carnavais abrasileirados  que proliferam por todo país em  vilas e aldeias, apadrinhadas quase sempre pelas Câmaras Municipais.

A outra “cultura” também amplamente divulgada e promovida pelos governos e pelos grandes grupos económicos é a da telenovela, dos hipermercados, do megaconcerto, do futebol, da discoteca, do centro comercial aberto ao domingo (como é que nós conseguimos sobreviver até aos dias de hoje sem estas “necessidades”?). Quanto a nós isto pode ser “cultura de massas” mas de tradicional e popular no velho sentido da palavra, nada tem. A verdadeira cultura e tradição continua no povo das nossas aldeias. Este povo, ainda que mais “urbanizado” não abandonou, neste aspecto, tudo o que lhe veio dos antepassados.

Os jogos tradicionais e as festas populares eram antigamente a forma de diversão mais comum  das populações.

As festas tradicionais, geralmente associadas à memória de um santo, eram compostas de parte religiosa e parte profana.

Sendo ambas as actividades religiosas e profana variáveis, conforme as terras e os usos e costumes das gentes dessa região.

Alguns desses jogos  eram realizados também na nossa região:  corridas de sacos, corridas de burros para partir os púcaros de barro, corridas de cântaros, http://www.dailymotion.com/video/xeaoeu_corrida-de-cantaros-festa-do-soutoc_videogames ( Soutociclo, Leiria) jogo da malha, jogo do fito ou chinquilho http://www.youtube.com/watch?v=btgv6uFiOwE (aqui ao lado em Vila Facaia) do pião, o arco e a gancheta, a tracção à corda, etc.

Torneios de chinquilho ainda se fazem muitas vezes em muitos lugares e também em Sarzedas de S. Pedro. Quanto ao pião, parece que já não há rapazes que saibam “deitar o pião”.

A “pesca do bacalhau” é um jogo que nos lembramos de ter sido feito em algumas festas do S. Pedro. Mais recentemente, poucos anos atrás, ele existiu na festa da Senhora da Piedade.

Consiste em colocar um mastro de pinheiro, na vertical, espetado no solo, sendo atado na ponta, no cimo, um bacalhau, um garrafão com vinho e um saco com umas quantas  batata. Este é o prémio de quem conseguir subir o pau sem qualquer ajuda. Mas os primeiros dois ou três metros da base são ensebados para dificultar a subida. Então inventaram alguns truques para fazer desaparecer o efeito do sebo, com levar serradura nos bolsos para ir esfregando as mãos e estas não escorregarem e haver mais atrito entre o concorrente e o pau do mastro ou ainda fazer várias tentativas, ir limpado o sebo com o fato, até facilitar a subida.

 

 

sebo:  é banha de carneiro ou espécie afim, desfeita

publicado por Sir do Vasco às 11:06

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