Aldeia do concelho de Castanheira de Pêra, distrito de Leiria

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Dez 09

 

A linha de talvegue que se inicia na Melgachinha e termina no Porto Enguia foi o principal eixo de terrenos de cultivo nos limites da nossa aldeia. Nesta linha confluem ainda outras mais pequenas: Uma que se inicia em Bouça e termina no Porto Pereiro; Outra que corresponde a todo o Vale da Vinha, até à Fonte Velha e ainda a que começa no Barroco do Vale de Ireira e termina no Porto Carro de Cima.
 
 
E existência de vários nascentes facilitou o cultivo e o regadio por gravidade.
Apesar de haver alguma água, nem todos os terrenos tinham condições de serem aráveis. Sendo assim, para produzirem e cultivarem os seus produtos agrícolas os primeiros sarzedenses tiveram que preparar os terrenos onde pudessem fazer a sua agricultura.
Quando a cale do vale era demasiado inclinada, fizeram enormes paredões ou açudes, capazes de suportar as terras a montante. Construiram túneis subterrâneos onde fizeram passar os ribeiros. Colocaram enormes lajes a fazer a cobertura do túneis. Estas lajes têm que suportar o peso das terras que irão ser cultivadas, os terrenos planos a que chamaram “nateiros”. (Há quem lhe chame “chã”. Chãs, porque são planos e próximos da horizontalidade, nateiros porque alguns recebiam os detritos e lodos levados pelas águas da chuva e que funcionavam como fertilizantes.) Executaram canais para desviar  riachos e ribeiros. Captaram água para regar e levaram-na por gravidade, a grande distancia.
 
 
Os açudes foram construídos de modo a que as chamadas “bicas do açude” caiam no terreno do dono do açude e não no terreno do vizinho a jusante. No Inverno quando o ribeiro vai cheio, a bica que sai do túnel é projectada a uma certa distância. Para tal deixaram sempre o açude recuado da extrema uma certa  distância, sessenta ou oitenta centímetros conforma a altura a que caísse a bica. Quando mais alta for a saida do túnel, maior será a distância a que a bica é projectada.
Em outros sítio as barrocas em vez de canalizadas foram desviadas à volta dos terrenos e encaminhadas de novo ao seu percurso normal. A água que desce dos Covões de Cima até ao Porto Pereiro foi desviada muito acima do que é a parte mais funda do vale. A água que vem do Vale da Vinha foi desviada e entra de novo na barroca no açude de Além da Fonte. No Porto Carro de Cima a barroca foi feita a Sul da linha do vale e no Porto Carro de Baixo e Porto de Enguia, a Norte da referida linha.
 

 

A água captada no Vale de Ireira regava todos os terrenos, até ao Porto da Vila do lado de baixo da estrada, incluindo o Bacelinho e o Porto Salgueiro. Era água contada, isto é, cada proprietário tinha direito a umas tantas horas de água, suficientes para regar as culturas do seu terreno, seguindo-se o vizinho, o vizinho do vizinho até dar a volta a todos e começar de novo no principio. A água do Vale de Ireira corria de pé, (subia suficientemente no poço, para correr por si devido à gravidade) até certa altura do ano. Quando o calor começava a chegar o nascente perdia a força e a água tinha que ser tirada com aguador.

A água que nascia no Porto da Água Benta ( Covões de Cima) regava até ao Porto Pereiro.

A água da Fonte Velha regava até ao Porto da Vila do lado de cima da estrada.

O Porto Carro de Cima tinha um poço comum cuja água era tirada com um engenho (nora) puxado a burro.

 

publicado por Sir do Vasco às 23:25

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